Tarifaço dos EUA ameaça vendas de suco de laranja, café, carne e frutas brasileiras
Centro de Estudos da USP alerta que sobretaxa de 50% pode desequilibrar o agronegócio e pressionar preços internos a partir de agosto
A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 50% sobre produtos agrícolas brasileiros pode comprometer receitas de importantes setores do agronegócio nacional — incluindo suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas — alerta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

O setor de suco de laranja é o mais vulnerável, já sujeito a uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada. Com a nova sobretaxa, a competitividade brasileira pode ser seriamente prejudicada no segundo maior mercado consumidor, responsável por 90% do consumo norte-americano — dos quais 80% vêm do Brasil — em um momento de safra recorde estimada em 314,6 milhões de caixas para 2025/26.
No caso do café, os EUA respondem por cerca de 25% das importações brasileiras, especialmente de arábica, item central para torrefadoras, cafeterias e redes varejistas no país. A elevação no custo de importação comprometeria toda a cadeia de abastecimento.
Já a carne bovina tem nos EUA seu segundo maior destino: empresas norte-americanas compram em média 12% dos embarques. Entre março e abril, houve recorde de compras, superiores a 40 mil toneladas por mês, às vésperas da medida.
Quanto às frutas frescas, manga e uva estão no radar. A safra da manga para os EUA inicia em agosto, e já há relatos de adiamento de embarques devido à expectativa de tarifação; a uva segue em alerta para a segunda quinzena de setembro.
Produtores e entidades do setor já pedem que o governo brasileiro articule negociações diplomáticas para revisar ou excluir esses produtos da sobretaxa, num esforço que consideram estratégico tanto para o Brasil quanto para a estabilidade alimentar norte-americana.







