Bolsonaro reage a Trump e diz que presidente dos EUA é símbolo de “fé diante da perseguição”
Após receber apoio contra investigações no Brasil, Bolsonaro agradece Trump e o exalta como exemplo mundial de resiliência e liderança conservadora
O ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou profunda gratidão ao apoio declarado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nesta segunda-feira (7) defendeu Bolsonaro como alvo de uma “caça às bruxas” desencadeada por autoridades brasileiras, afirmando que o julgamento só deveria ocorrer nas urnas. Em resposta, Bolsonaro divulgou uma mensagem pública dizendo que recebeu a nota “com muita alegria” e ressaltou que Trump enfrentou perseguição semelhante — “foi implacavelmente perseguido, mas venceu para o bem dos Estados Unidos e dezenas de outros países verdadeiramente democráticos” — e concluiu: “Obrigado por existir e nos dar exemplo de fé e resiliência”.

A postagem, feita no X, veio acompanhada de uma foto dos dois juntos e foi elogiada por Eduardo Bolsonaro, que afirmou que “esta não será a única novidade vinda dos EUA neste próximo tempo”. Trump, por sua vez, descreveu Bolsonaro como um “líder forte, que realmente amava seu país”, reforçando que ele “não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”.
A articulação ocorre em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por sua suposta participação em trama golpista após as eleições de 2022 e de sua condenação por abuso de poder eleitoral, que o considerou inelegível até 2030. A repercussão vem um dia após Trump também anunciar possíveis tarifas adicionais a países alinhados com políticas “antiamericanas” dos Brics.
O clima político quente se agrava ainda mais com a repercussão diplomática: o presidente Lula reagiu à manifestação americana, reforçando que “a defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros” e que o país “não aceita interferência ou tutela de quem quer que seja”. A ministra Gleisi Hoffmann também criticou Trump, afirmando que o presidente norte-americano “está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro”, destacando que “hoje o Brasil não é mais subserviente”.
O episódio amplifica o debate sobre soberania e interferência externa, ao mesmo tempo em que fortalece os laços de Bolsonaro com o trumpismo — um movimento político que já o caracteriza como o “Trump brasileiro”.







