Economia

Brics exige renegociação de dívidas de países pobres no G20 e propõe garantias multilaterais

Na declaração da 17ª Cúpula, bloco pede aplicação do Marco Comum do G20 e cria grupo de trabalho para garantir financiamento justo a emergentes

Na 17ª Cúpula do Brics, realizada neste domingo (6) no Rio de Janeiro, os países do grupo aprovaram uma proposta para renegociar dívidas de nações de baixa e média renda dentro do Marco Comum do G20 para Tratamento da Dívida, mecanismo definido no encontro do ano passado. O documento defende uma abordagem “holística” ao endividamento externo, considerando os choques econômicos recentes e ressaltando que juros altos e acesso restrito ao crédito agravam a vulnerabilidade dos países mais frágeis.

Brics exige renegociação de dívidas de países pobres no G20 e propõe garantias multilaterais
Na declaração da 17ª Cúpula, bloco pede aplicação do Marco Comum do G20 e cria grupo de trabalho para garantir financiamento justo a emergentes(Ricardo Stuckert-PR)

Além da renegociação, o grupo incluiu na declaração final o início das discussões sobre um mecanismo de garantias multilaterais (GMB), que reuniria ativos dos membros para cobrir eventuais inadimplências e reduzir os custos de empréstimos externos por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), popularmente chamado de Banco dos Brics. O propósito é criar uma estrutura de financiamento que combine previsibilidade, ordenação e participação conjunta, sem necessidade de aportes iniciais, e implementar um projeto-piloto ainda em 2025, com relatório previsto para a próxima cúpula, em 2026.

O documento também aborda a revisão do Acordo de Reservas Contingenciais (ARC), que pode incluir novas moedas de reserva, e reforça a construção de mecanismos complementares já previstos por ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais — especialmente voltados a financiamentos climáticos e infraestrutura. Essas medidas refletem o compromisso do Brics em fortalecer a sustentabilidade financeira dos países emergentes e romper com modelos tradicionais que oneram o Sul Global.

Com a participação de 11 países membros e parceiros, os Brics reúnem cerca de 39% do PIB global, 48,5% da população mundial e 23% do comércio internacional, posição que reforça a influência do bloco nas discussões globais de governança econômica. A proposta apresentada insere o Brics em um papel protagonista na pauta do G20, afirmaremos fortalecimento da cooperação Sul-Sul e pressionando por soluções financeiras justas e sustentáveis.

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