Economia

Quase metade das exportações brasileiras escapam da tarifa de 50% dos EUA, diz MDIC

Governo estima que 44,6% das vendas ao mercado americano foram poupadas da sobretaxa anunciada por Trump

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta quinta-feira (31) que aproximadamente 44,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos escaparam da nova tarifa de 50% anunciada pelo governo de Donald Trump. A estimativa se baseia numa primeira lista com cerca de 700 produtos isentos, como aeronaves, suco de laranja, celulose, petróleo e minério de ferro, que continuarão sujeitas à tarifa anterior de até 10%.

Quase metade das exportações brasileiras escapam da tarifa de 50% dos EUA, diz MDIC
Governo estima que 44,6% das vendas ao mercado americano foram poupadas da sobretaxa anunciada por Trump(Divulgação-Antonio Milena)

Segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, a alíquota de 50% incidirá diretamente sobre apenas 35,9% das exportações brasileiras, o que corresponde a US$ 14,5 bilhões em valores referentes a 2024. Outros 19,5% das vendas já estavam sujeitos a tarifas específicas aplicadas globalmente (como 25% para autopeças e 50% para aço, alumínio e cobre) e não serão impactados pela sobretaxa adicional. Somando os três grupos, 64,1% das exportações seguirão competindo em condições semelhantes às de outros países no mercado americano.

Essa divisão alivia parte do impacto, mas setores estratégicos como café, carne bovina e frutas continuam vulneráveis à taxa de 50%, o que preocupa exportadores brasileiros que relatam cancelamentos de contratos e queda de preços nos Estados Unidos.

A medida foi formalizada por Trump por meio de uma ordem executiva assinada em 30 de julho, com efeitos previstos para entrar em vigor em 6 de agosto. A lista de isenções inclui cerca de 1,7 mil produtos relacionados ao setor de aviação civil e 694 categorias em outras áreas. O MDIC ressalta ainda que produtos já embarcados até sete dias após a assinatura da ordem ficam fora da tarifa de 50%.

O governo brasileiro segue disponível para diálogo, mas defende seus instrumentos legais, como a Lei de Reciprocidade Comercial, e insiste que a soberania nacional deve ser respeitada. Essas sanções econômicas representam não apenas um choque comercial, mas também um episódio de tensão política entre Brasília e Washington.

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