Petrobras diz que operações seguem seguras, mas mercado vê possível alta nos preços dos combustíveis
Estatal afirma que rotas alternativas evitam impacto imediato, enquanto setor projeta pressão após fechamento do Estreito de Ormuz
A Petrobras informou que suas operações permanecem seguras e com custos competitivos, mesmo diante da escalada do conflito no Oriente Médio e do anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano.

Em nota, a estatal afirmou que a maior parte de seus fluxos de importação ocorre fora da região afetada pela crise. Segundo a companhia, as poucas rotas que passam pela área de tensão podem ser redirecionadas, afastando, neste momento, o risco de interrupção nas operações de importação ou exportação.
Mercado avalia possível impacto nos preços
Apesar da avaliação tranquilizadora da Petrobras, agentes do setor de combustíveis enxergam possibilidade de pressão sobre os preços domésticos nos próximos dias.
O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou que a Petrobras deve aguardar maior estabilidade no cenário internacional antes de qualquer decisão sobre reajustes. No entanto, ele ponderou que refinarias privadas já podem iniciar movimentos de alta.
Para Araújo, parte do impacto do conflito já estaria incorporado aos preços internacionais. “O risco já está precificado”, avaliou, ao comentar a ameaça iraniana de bombardear navios que cruzem o Estreito de Ormuz.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais relevantes para o comércio global de petróleo. A via marítima conecta produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo passa pela região.
O anúncio de fechamento ocorreu após a confirmação da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante os recentes bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel.
Petróleo dispara no mercado internacional
Em meio à crise, os preços internacionais do petróleo chegaram a subir até 13%, ultrapassando US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025.
Segundo Araújo, a expectativa é que o barril permaneça oscilando na faixa de US$ 80, possivelmente um pouco acima, sem retornar aos patamares de US$ 60 a US$ 65 observados anteriormente. Ele avalia ainda que o conflito pode se estender por semanas ou até meses, mantendo o mercado sob forte volatilidade.
Por ora, a Petrobras sustenta que não há impacto direto em suas operações, mas o cenário internacional segue como fator de atenção para o mercado de combustíveis no Brasil.







