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Uso de medicamentos para emagrecer exige atenção à saúde vascular, alertam especialistas

Embora tragam benefícios cardiovasculares, fármacos como semaglutida e liraglutida requerem acompanhamento médico para evitar riscos circulatórios

O aumento da procura por medicamentos para emagrecimento, como a semaglutida e a liraglutida, tem despertado atenção de especialistas em saúde vascular. Embora esses fármacos sejam considerados eficazes e seguros quando prescritos corretamente, o uso sem acompanhamento médico pode trazer impactos ao sistema circulatório, especialmente em pessoas com fatores de risco.

Uso de medicamentos para emagrecer exige ateno sade vascular alertam especialistas
Embora tragam benefícios cardiovasculares, fármacos como semaglutida e liraglutida requerem acompanhamento médico para evitar riscos circulatórios(Divulgação)

De acordo com o cirurgião vascular e vice-diretor científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Sao Paulo (SBACV-SP), Dr. Rafael de Athayde Soares, os agonistas do receptor de GLP-1 representam avanço importante no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Além de promoverem perda de peso, esses medicamentos têm demonstrado redução de eventos cardiovasculares em grupos específicos de pacientes.

Benefícios além da balança

Estudos recentes indicam que a semaglutida administrada por via subcutânea semanal pode reduzir entre 20% e 22% o risco de eventos cardiovasculares graves — como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular — em pacientes com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida, mesmo sem diagnóstico de diabetes.

Os dados apontam que esses benefícios não dependem exclusivamente da perda de peso, que gira em torno de 9,4%. Há ainda evidências de melhora na capacidade de marcha e na qualidade de vida em pessoas com doença arterial periférica.

Riscos associados ao uso indiscriminado

Apesar dos avanços terapêuticos, o uso sem avaliação médica preocupa. Diabetes e obesidade, condições para as quais esses medicamentos são indicados, já estão associadas a alterações inflamatórias e metabólicas que comprometem a integridade dos vasos sanguíneos.

O excesso de glicose pode danificar o endotélio vascular e favorecer a aterosclerose. Já o excesso de gordura corporal está relacionado à inflamação crônica, resistência à insulina e alterações na coagulação, fatores que elevam o risco de trombose, doença arterial periférica e insuficiência venosa.

Segundo o especialista, o emagrecimento acelerado, a redução da ingestão alimentar e os efeitos gastrointestinais podem provocar desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e alterações na pressão arterial. Essas mudanças impactam a estabilidade hemodinâmica e podem representar maior risco para pacientes vulneráveis.

A desidratação reduz o volume sanguíneo circulante, enquanto distúrbios eletrolíticos interferem no funcionamento cardíaco e no controle da pressão. Em determinadas situações, pode haver aumento da viscosidade sanguínea, favorecendo a formação de trombos, sobretudo em pessoas com histórico de doenças vasculares.

Grupos que exigem maior cuidado

Pacientes com antecedentes de trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou doença arterial periférica devem ter acompanhamento mais rigoroso. Embora não exista evidência consistente de aumento direto do risco de trombose associado a esses medicamentos, fatores como perda rápida de peso e alterações metabólicas justificam monitoramento atento.

Em condições como o lipedema, a perda de peso pode trazer benefícios metabólicos, mas não modifica o tecido adiposo característico da doença, reforçando a importância de abordagem multidisciplinar.

Sinais de alerta durante o tratamento

Durante o uso dos medicamentos, sintomas como dor ou inchaço súbito nas pernas, falta de ar, dor no peito, tontura persistente, desmaios, palpitações, queda acentuada da pressão arterial e sinais de desidratação intensa devem motivar busca imediata por atendimento médico.

A avaliação individualizada antes do início da terapia — com análise do histórico clínico, uso de outras medicações, função renal, pressão arterial e estado de hidratação — é considerada fundamental para garantir segurança.

Especialistas reforçam que esses medicamentos devem integrar uma estratégia mais ampla, que inclua alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional contínuo. A automedicação, alertam, é o principal fator de risco evitável quando se trata de tratamentos que interferem diretamente no metabolismo e na saúde vascular.

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