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Trump amplia sanções e mira esposa de Alexandre de Moraes

Advogada Viviane Barci de Moraes passa a ser alvo do governo dos EUA, que reage à prisão domiciliar de Bolsonaro com embate diplomático e tarifário

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara um novo pacote de sanções direcionado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A medida ocorre poucos dias após a prisão domiciliar decretada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e intensifica a já tensa crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

Trump amplia sanções e mira esposa de Alexandre de Moraes
Trump estende sanções dos EUA contra Viviane Barci de Moraes após prisão de Bolsonaro(Joyce N. Boghosian)

Viviane, apontada por aliados de Trump como o “braço financeiro” do ministro, será incluída na lista de sanções da Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelo governo norte-americano para punir indivíduos acusados de envolvimento em corrupção ou violação de direitos humanos. Essa nova ofensiva, liderada por Eduardo Bolsonaro junto à Casa Branca, visa ampliar o cerco contra figuras próximas ao Judiciário brasileiro que estariam, segundo a visão trumpista, promovendo uma perseguição política a Bolsonaro.

Na semana anterior, Alexandre de Moraes teve seus bens bloqueados em jurisdição americana, o visto revogado e foi incluído no programa de sanções internacionais dos Estados Unidos, sob alegações de abuso de autoridade, censura e ataque à liberdade de expressão. A decisão provocou fortes reações do governo brasileiro, que a classificou como uma ingerência inaceitável nos assuntos internos do país.

A iniciativa contra a esposa do magistrado amplia o alcance da retaliação norte-americana e aprofunda a crise bilateral. A medida está sendo costurada nos bastidores diplomáticos por aliados de Trump e setores do Partido Republicano que veem o Judiciário brasileiro como parte de um sistema que tenta inviabilizar politicamente Jair Bolsonaro, figura central na articulação conservadora internacional.

A prisão de Bolsonaro, decretada após o Supremo Tribunal Federal concluir que o ex-presidente violou medidas cautelares ao manter contato com aliados por meio das redes sociais, serviu como estopim para as sanções. A Casa Branca também anunciou, de forma paralela, um aumento tarifário de até 50% sobre produtos brasileiros como aço, alumínio e celulose, elevando a tensão comercial com o governo Lula.

Especialistas veem na atitude de Trump uma tentativa de reposicionar sua influência internacional e fortalecer alianças ideológicas em meio à campanha presidencial americana. No Brasil, cresce o temor de que essas ações gerem impactos econômicos e institucionais de longo prazo, principalmente se houver novas inclusões de membros do Judiciário e suas famílias nas sanções internacionais.

A movimentação em torno de Viviane Barci de Moraes não apenas expande o foco da pressão americana como também simboliza o grau de pessoalização do embate diplomático. Setores jurídicos e políticos brasileiros têm reagido com cautela, alertando para os riscos de um conflito entre poderes e de uma escalada que comprometa a soberania do país e a estabilidade de suas instituições democráticas.

Com a crise se aprofundando e sem sinais de recuo por parte dos EUA, o caso promete permanecer no centro da disputa geopolítica entre o governo Lula e a administração Trump. O desfecho, ainda incerto, pode definir os rumos da relação bilateral nos próximos anos e estabelecer novos parâmetros sobre os limites da pressão internacional em julgamentos internos de outros países.

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