Jornalistas morrem em bombardeio israelense a hospital de Gaza
Ataque aéreo ao hospital Nasser mata cinco jornalistas de veículos internacionais; organizações exigem investigação e proteção à imprensa
Cinco jornalistas de diferentes veículos internacionais morreram nesta segunda-feira (25) durante um bombardeio israelense ao hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. As explosões atingiram o quarto andar da unidade hospitalar, onde jornalistas estavam posicionados para cobrir a situação dos feridos em confrontos recentes. Testemunhas relataram que, após a primeira explosão, uma segunda detonação ocorreu minutos depois, atingindo as equipes de resgate e repórteres que se aproximavam do local — uma tática conhecida como “double tap”, frequentemente criticada por organizações humanitárias por colocar civis e socorristas em risco.

Entre os mortos estão Hussam al-Masri, colaborador da Reuters; Mariam Abu Dagga, freelancer da Associated Press (AP); Mohammed Salama, fotógrafo da Al Jazeera; Moaz Abu Taha, ligado à NBC; e Ahmed Abu Aziz, da Quds Feed Network e colaborador do Middle East Eye. Outro jornalista, Hatem Khaled, também da Reuters, ficou ferido e segue hospitalizado. Todos estavam identificados como membros da imprensa e equipados com coletes e capacetes marcados com a palavra “PRESS”.
A reação da comunidade internacional foi imediata. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou indignação e cobrou uma investigação urgente e transparente. O governo do Reino Unido também manifestou preocupação, enfatizando que profissionais de imprensa devem ser protegidos em zonas de conflito. A Al Jazeera, Reuters e diversas entidades como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) emitiram notas exigindo responsabilização e maior proteção aos profissionais que atuam em áreas de guerra.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram o ataque ao hospital e afirmaram que o local abrigava supostos militantes do Hamas, mas reconheceram a morte dos jornalistas como um “incidente trágico”. Uma investigação interna foi anunciada, embora grupos de direitos humanos alertem para a recorrência de episódios semelhantes desde o início da ofensiva israelense em Gaza, em outubro de 2023. Segundo o CPJ, este foi o episódio mais letal para jornalistas em um único dia desde o início da guerra, elevando para mais de 240 o número de profissionais de imprensa mortos no conflito.
O ataque ao hospital Nasser intensifica as denúncias de violações do direito internacional humanitário na região e acende o alerta sobre a crescente dificuldade de garantir cobertura jornalística em um dos conflitos mais perigosos do mundo. Para entidades jornalísticas, o episódio representa não apenas uma tragédia, mas uma tentativa de silenciamento em meio à escalada da violência. A ONU, a imprensa internacional e organizações civis reiteram: matar jornalistas é um ataque direto à verdade e ao direito global à informação.







