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Pentágono exige que reportagens passem por aprovação oficial antes da publicação

Nova política obriga jornalistas credenciados a assinar compromisso de não divulgar informações, mesmo não classificadas, sem permissão expressa; medida provoca críticas por ameaçar liberdade de imprensa

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, conhecido popularmente como Pentágono, instituiu recentemente uma nova política segundo a qual jornalistas credenciados devem assinar um compromisso formal de não publicar qualquer informação — mesmo quando não classificada — sem a autorização expressa de um oficial competente. Esta diretriz consta em um memorando de 17 páginas divulgado sob a gestão do secretário da Defesa, Pete Hegseth, que afirma que “informações devem ser aprovadas para divulgação pública por autoridade apropriada antes de serem liberadas”.

Pentágono exige que reportagens passem por aprovação oficial antes da publicação
Nova política obriga jornalistas credenciados a assinar compromisso de não divulgar informações, mesmo não classificadas, sem permissão expressa(Reprodução – Google Maps)

As novas regras implicam que, caso os jornalistas desrespeitem esses protocolos, correm o risco de terem suas credenciais no Pentágono revogadas, o que os impediria de acessar instalações e cobrir assuntos militares diretamente.

Além disso, o documento exige que repórteres limitem seus movimentos dentro do prédio do Pentágono a áreas específicas (como a imprensa, pátios autorizados ou espaços controlados), e deixa claro que é preciso autorização para acesso a informações não autorizadas — ainda que não secretas.

Essa mudança radical nas regras de cobertura jornalística gerou forte reação de entidades ligadas à liberdade de imprensa. Críticos afirmam que a exigência configura uma forma de censura prévia (prior restraint), limitando o papel fiscalizador da mídia em áreas que envolvem o interesse público. Organizações como o National Press Club, além de repórteres independentes, argumentam que um controle tão rígido sobre o que pode ou não ser divulgado mina a transparência e enfraquece a confiança pública nas instituições.

O secretário Pete Hegseth, por sua vez, defendeu que tais medidas são necessárias para proteger informações sensíveis, evitar vazamentos e garantir a segurança nacional. Ele publicou declarações enfatizando que o Pentágono não funciona como um órgão aberto para circulação irrestrita, estabelecendo que jornalistas devem “usar crachá, seguir regras ou ir para casa”.

Especialistas em direito constitucional alertam que essa política poderá provocar disputas legais, principalmente à luz da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que assegura a liberdade de imprensa. Determinadas decisões judiciais, no passado, barraram medidas de governo que impostassem restrições genéricas e prévias à divulgação de informações, inclusive aquelas não classificadas, por entenderem que ferem princípios democráticos.

Enquanto isso, organizações de jornalismo alertam que essas diretrizes não só afetam grandes veículos, mas podem ter efeitos intimidatórios para repórteres independentes ou menores, que dependem de credenciais para cobrir segurança militar. A tensão entre a necessidade de proteção de informações sensíveis e o dever de informar adequadamente a sociedade promete se intensificar nos próximos dias.

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