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Mortes em protestos no Irã chegam a 3 mil, diz ONGs

Dados de grupos de direitos humanos apontam alta mortalidade em confrontos com forças de segurança, e Iran condena jovem manifestante à morte

A onda de protestos antigovernamentais que sacode o Irã desde o final de dezembro de 2025 intensificou‑se nas últimas semanas e tem deixado um rastro de violência, prisões em massa e dezenas de mortos no país. Organizações não governamentais e grupos de oposição estimam que mais de 3 mil pessoas tenham sido mortas durante os confrontos com as forças de segurança desde o início das manifestações, enquanto o governo do país anunciou a execução de um manifestante condenado sob acusações ligadas aos protestos, em um episódio que representa mais um capítulo na repressão do regime.

Mortes em protestos no Ir chegam a 3 mil diz ONGs
Relatórios de direitos humanos expõem escalada da violência e repressão estatal contra manifestantes(Reprodução – X)

Os protestos tiveram início como uma reação à grave crise econômica e ao descontentamento profundo com a gestão política do país e rapidamente se transformaram em um movimento nacional de oposição ao regime teocrático chefiado pelo líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei. As demonstrações se espalharam por dezenas de cidades e regiões do Irã, reunindo milhares de pessoas nas ruas em protesto contra a inflação, a falta de oportunidades e as restrições às liberdades civis.

O cálculo de mais de 3 mil mortos é baseado em informações compiladas por grupos iranianos de oposição que operam no exterior, organizações de direitos humanos e relatos de fontes locais, hospitais, serviços forenses e famílias das vítimas em cerca de 195 cidades iranianas desde que as manifestações começaram em 28 de dezembro de 2025. Essas estimativas contrastam com números divulgados por autoridades iranianas, que reconhecem milhares de mortes incluindo civis e membros das forças de segurança, mas tradicionalmente minimizam a dimensão das perdas humanas.

No contexto dessa repressão, o regime anunciou a execução de Erfan Soltani, um homem de 26 anos, que foi condenado por “waging war against God” (lutar contra Deus), uma acusação usada pelas autoridades iranianas para justificar penas severas contra opositores. Reportagens internacionais indicam que Soltani foi detido após participar de protestos em Karaj, na província de Alborz, e que ele não teria tido acesso pleno a um processo legal justo ou a um advogado de defesa antes de ser sentenciado à morte por enforcamento — o que marca um precedente perigoso no trato judicial dos manifestantes.

Organizações como a Human Rights Activists News Agency (HRANA), baseada nos Estados Unidos, têm documentado detenções em massa — mais de 10 mil pessoas já foram presas segundo alguns relatórios — e alertam para a possibilidade de mais execuções e violência legalizada contra civis desarmados, incluindo estudantes, defensores dos direitos humanos e jornalistas, muitos dos quais estariam sendo mantidos em condições precárias e negados até mesmo contato com familiares.

A comunicação sobre os protestos tem sido dificultada por um apagão de internet nacional imposto pelas autoridades, destinado a restringir o fluxo de informações e limitar a visibilidade internacional dos acontecimentos. Esse corte de comunicações também tem impedido a verificação independente de dados sobre vítimas e prisões, complicando ainda mais a compreensão completa do impacto humano da repressão.

A comunidade internacional já reagiu em diferentes níveis, com condenações de governos e pedidos de investigações sobre possíveis violações de direitos humanos, enquanto especialistas alertam que a crise no Irã pode ter efeitos duradouros sobre a estabilidade interna e as relações diplomáticas com potências estrangeiras.

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