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Morte de “El Mencho” provoca onda de violência em 20 estados do México e deixa ao menos 66 mortos

Retaliação do Cartel Jalisco Nueva Generación inclui bloqueios, incêndios e confrontos armados; governo decreta alerta máximo

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, desencadeou uma das maiores ondas de violência recentes no México. Integrantes do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) reagiram à captura e falecimento do líder promovendo ataques coordenados em ao menos 20 estados do país. O saldo oficial aponta pelo menos 66 mortos entre confrontos e ações retaliatórias.

Morte de El Mencho provoca onda de violncia em 20 estados do Mxico e deixa ao menos 66 mortos
Após morte de “El Mencho”, México registra onda de violência em 20 estados(Reprodução – Redes Sociais)

“El Mencho” morreu sob custódia no domingo (22), após ser capturado por forças especiais mexicanas em Tapalpa, no estado de Jalisco. Gravemente ferido durante um confronto entre seus seguranças e militares, ele faleceu enquanto era transferido para a Cidade do México. O secretário de Defesa Nacional, Ricardo Trevilla Trejo, afirmou que a localização do líder foi possível após o monitoramento de uma pessoa ligada a uma de suas companheiras.

Durante a operação de captura, oito pessoas morreram. Nos dias seguintes, confrontos e ataques atribuídos ao CJNG ampliaram o número de vítimas. Segundo o governo mexicano, 30 integrantes de cartéis morreram em embates em Jalisco, além de 25 membros da Guarda Nacional, um agente penitenciário e um funcionário da Procuradoria-Geral. Uma mulher civil também perdeu a vida.

Ataques, bloqueios e cidades sob tensão

Com a confirmação da morte, cidades onde o CJNG mantém atuação registraram incêndios de veículos, ataques a estabelecimentos comerciais, bloqueios de rodovias e espalhamento de objetos perfurantes nas estradas. Mais de 250 bloqueios foram contabilizados, dos quais cerca de 90% já teriam sido removidos, segundo autoridades.

Em Guadalajara, capital de Jalisco e uma das sedes da Copa do Mundo de 2026, passageiros foram vistos correndo dentro do aeroporto após relatos de tiros nas proximidades. Autoridades negaram disparos dentro do terminal, mas aproximadamente 300 turistas ficaram retidos após cancelamentos de voos.

No balneário de Puerto Vallarta, destino turístico no Pacífico mexicano, visitantes foram orientados a permanecer em hotéis enquanto carros eram incendiados nas ruas. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça sobre a cidade. Em diversas regiões, aulas foram suspensas e partidas de futebol canceladas.

O governo de Jalisco decretou “código vermelho”, suspendendo transporte público e eventos. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população e elogiou a atuação das forças de segurança, afirmando que, fora das áreas afetadas, as atividades seguem normalmente.

Pressão internacional e cooperação com os EUA

A operação contou com apoio da Guarda Nacional e da Força Aérea mexicana, além de informações complementares fornecidas pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano havia oferecido recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão do líder do cartel.

A Casa Branca destacou que “El Mencho” era considerado um dos principais responsáveis pelo tráfico de fentanil para os Estados Unidos. A presidente mexicana enfrenta pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intensificar o combate aos grupos transnacionais de narcotráfico.

Autoridades britânicas e norte-americanas recomendaram que seus cidadãos em diversos estados mexicanos permaneçam em locais seguros até novo aviso.

Quem foi “El Mencho”

Nascido na região de Tierra Caliente, em Michoacán, Nemesio Oseguera Cervantes construiu sua trajetória no crime após passagem pelos Estados Unidos, onde foi detido e posteriormente deportado. De volta ao México, passou pela polícia local antes de integrar organizações criminosas que deram origem ao CJNG.

Sob sua liderança, o cartel expandiu-se rapidamente, consolidando presença em grande parte do território mexicano e ampliando sua atuação no mercado internacional de drogas sintéticas, especialmente anfetaminas. A organização também diversificou suas atividades para lavagem de dinheiro em setores como construção, agricultura e pecuária.

Nos últimos anos, rumores sobre o estado de saúde de “El Mencho” circularam com frequência. Especialistas já apontavam que ele poderia não estar à frente das operações cotidianas do grupo. Mesmo assim, sua captura e morte representam um dos golpes mais significativos já aplicados contra o CJNG.

Risco de novos confrontos

A violência registrada após a morte do líder lembra episódios ocorridos em 2019, quando confrontos após a prisão de Ovidio Guzmán, filho de Joaquín “El Chapo” Guzmán, mergulharam o estado de Sinaloa no caos.

Com 25 prisões efetuadas até o momento — 11 por participação direta em atos violentos e 14 por suspeita de saques — as autoridades mantêm operações em andamento para evitar novos ataques.

Embora parte dos bloqueios já tenha sido removida, o clima permanece tenso em diversas regiões, especialmente em Jalisco, considerado o principal reduto do Cartel Jalisco Nueva Generación.

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