Operação prende 18 suspeitos por fraude milionária em financiamentos de veículos no interior de SP
Esquema utilizava “laranjas” e movimentou mais de R$ 129 milhões em cinco anos
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo resultou na prisão de 18 pessoas suspeitas de integrar um esquema de fraudes em financiamentos de veículos no interior do estado. A ação foi realizada nesta segunda-feira (30) e teve como alvo cidades como Catanduva, São José do Rio Preto, Severínia, Paraíso e Pindorama.

De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Catanduva, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 129 milhões ao longo de cinco anos com a prática fraudulenta.
Durante a operação, batizada de “Axis”, os policiais apreenderam dezenas de veículos, além de celulares, cartões bancários, armas, munições e itens de alto valor, como joias e relógios. Também foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e contas bancárias ligadas aos investigados. Três suspeitos seguem foragidos.
O esquema consistia na utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para viabilizar financiamentos de veículos de alto valor. A intenção, segundo a polícia, era não quitar as dívidas. Após a inadimplência, os veículos eram negociados com instituições financeiras por valores reduzidos. Em seguida, os automóveis voltavam ao mercado e eram revendidos pelo preço original, gerando lucro ilegal.
As apurações indicam que, entre 2020 e 2025, ao menos 278 veículos foram utilizados nesse tipo de fraude, somando mais de R$ 22 milhões em patrimônio envolvido diretamente nas operações.
A investigação revelou que a organização tinha uma estrutura complexa, com divisão clara de funções. Um núcleo central era responsável pelo comando estratégico, enquanto outros grupos atuavam na movimentação dos veículos, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. Havia ainda uma equipe dedicada à falsificação de documentos para facilitar a aprovação dos financiamentos.
Interceptações telefônicas e análises bancárias mostraram que o grupo atuava de forma contínua e organizada, utilizando contas de terceiros e canais específicos de comunicação para evitar rastreamento.
Os presos foram encaminhados à delegacia e permanecem à disposição da Justiça. Eles devem responder por crimes como estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.







