Brasil e Índia pedem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU durante Cúpula do Brics
Em declaração conjunta no Rio, bloco conta com apoio de China e Rússia para ampliar representação dos emergentes no órgão de paz da ONU
Durante a 17ª Cúpula dos Brics, ocorrida no Rio de Janeiro no último fim de semana, Brasil e Índia reforçaram oficialmente seu pedido por cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A solicitação, incluída na declaração final do encontro, recebeu o apoio direto de potências como China e Rússia, membros com poder de veto — movimento que sinaliza força diplomática dos países emergentes no órgão mais representativo da Organização das Nações Unidas.

O texto, aprovado por consenso entre os 11 países presentes, inclui menção expressa à “reforma abrangente” do Conselho, com o objetivo de “ampliar a representação do Sul Global” e permitir que países como Brasil e Índia assumam papéis mais ativos nas decisões internacionais. A iniciativa marca uma tentativa concreta de redefinir o poder na governança global, equilibrando a hegemonia dos cinco membros permanentes atuais — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — com vozes dos grandes emergentes.
A posição firme do Brics está alinhada com o histórico do G4, grupo que reúne Brasil, Índia, Japão e Alemanha, que defendem há anos a expansão do Conselho. Desta vez, porém, o endosso ocorreu dentro de um fórum mais amplo, reforçando a atuação sul-sul com respaldo geopolítico concedido por atores-chave de influência global.
Apesar do apoio dos colegas do bloco, o movimento enfrenta resistências entre países da “União pelo Consenso” — grupo que inclui Itália, México, Paquistão e Argentina — bem como entre membros africanos que questionam se a reforma atenderá aos interesses de toda a região. A proposta exige aprovação de dois terços da Assembleia Geral da ONU e aval unânime dos membros permanentes, o que torna o processo ainda delicado.
Apesar dos obstáculos, o gesto do Brics demonstra ambição diplomática do Sul Global e abre nova fase nas negociações pela reforma da principal instância de manutenção da paz mundial. A pressão agora se desloca para a Assembleia Geral e a diplomacia internacional, que avalia se o mundo realmente avançará rumo a uma governança mais representativa.







