Política

Lula diz que governo segue negociando o tarifaço e acusa Eduardo Bolsonaro de “trocar o Brasil pelo pai”

Durante evento em Osasco, presidente reafirmou disposição ao diálogo com os EUA e criticou aliados de Bolsonaro por atrapalhar negociações comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na sexta-feira (25) em Osasco (SP) que o governo federal segue em negociação com os Estados Unidos para tentar reverter ou suavizar o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto. Durante discurso no lançamento do programa Periferia Viva, o presidente apresentou o vice-geral Geraldo Alckmin como o negociador oficial do Brasil e destacou que a interlocução com a Casa Branca permanece aberta, mesmo com dificuldades nos canais diplomáticos.

Lula diz que governo segue negociando o tarifaço e acusa Eduardo Bolsonaro de "trocar o Brasil pelo pai"
Durante evento em Osasco, presidente reafirmou disposição ao diálogo com os EUA e criticou aliados de Bolsonaro por atrapalhar negociações comerciais(Divulgação-Cadu Gomes-VPR)

Lula fez críticas contundentes ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que o parlamentar estaria agindo em favor dos interesses do pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Segundo o petista, Eduardo teria buscado apoio de Donald Trump para pressionar pela anistia de Bolsonaro como contrapartida à revisão do tarifaço, comportamento que classificou como traição à nação: “trocando o Brasil pelo pai”.

Em uma metáfora histórica, o presidente comparou a postura de Eduardo Bolsonaro ao comportamento de Joaquim Silvério dos Reis, que traiu Tiradentes durante a Inconfidência Mineira: “pior do que Silvério dos Reis. Porque Silvério traiu Tiradentes, mas esse cara está traindo a nação, traindo o povo brasileiro”.

Além das críticas, Lula valorizou o papel de Alckmin como interlocutor do governo: “pessoa mais calma que conheço na vida. Negociador, não levanta a voz… Trump, no dia que vocês quiserem conversar, o Brasil estará pronto”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, reforçou apelo para que a família Bolsonaro e seus apoiadores “saíam do caminho” das negociações com os EUA. Segundo Haddad, a atuação de aliados do ex‑presidente estaria obstruindo a retomada de conversas que poderiam resolver o impasse comercial: “Nós estamos disponíveis o tempo todo. Agora, precisa desobstruir esse canal”.

O contexto da crise remonta ao anúncio de tarifas de 50% por Donald Trump em julho, justificadas parcialmente pelo tratamento dado ao ex‑presidente brasileiro pelo STF. O Brasil respondeu com recurso à OMC, adoção de retaliações comerciais e oferta de canais diplomáticos para diálogo, destacando que as tarifas representam não apenas uma questão comercial, mas uma tentativa de chantagem política.

No discurso em Osasco, Lula foi enfático ao afirmar que o julgamento de Jair Bolsonaro é uma questão da Justiça brasileira — não uma perseguição política — e que ele próprio explicaria ao presidente Trump, se fosse contatado, desde que fosse permitido diálogo aberto: “Bolsonaro não é problema meu, é problema da Justiça”.

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