Governo Lula deve encerrar mandato com pior rombo fiscal em 30 anos
Nova regra fiscal falha em conter desequilíbrio entre gastos obrigatórios e arrecadação
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproxima do encerramento com um cenário fiscal considerado o **mais delicado desde a criação do Plano Real, em 1994. Dados de indicadores econômicos e projeções de analistas sinalizam que o Brasil deve registrar um dos maiores déficits fiscais das últimas décadas, refletindo um desequilíbrio persistente entre receitas e despesas do governo central.

Segundo informações do Tesouro Nacional e de projeções do mercado financeiro, o resultado negativo das contas públicas — que já vinha se manifestando desde 2023 — continuou sob forte pressão ao longo de 2024 e 2025, mesmo após a implementação do novo arcabouço fiscal, que substituiu o antigo teto de gastos. A regra tinha como objetivo estabilizar as contas e trazer previsibilidade às despesas, mas até o momento não foi suficiente para conter o avanço do desequilíbrio.
Um dos fatores que mais pressionaram as finanças públicas foi o crescimento contínuo dos gastos obrigatórios, incluindo despesas com Previdência, benefícios assistenciais e pessoal, além da expansão de programas sociais e reajustes salariais no funcionalismo público. Esses compromissos consomem uma parte cada vez maior do orçamento — reduzindo a margem de manobra do governo para ajustes fiscais e investimentos.
Análises independentes indicam que o déficit nominal médio entre 2023 e 2026 pode atingir cerca de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB), um nível que supera os resultados negativos de administrações anteriores no período pós‑estabilização monetária e marca um dos piores desempenhos fiscais da história recente.
O crescimento do endividamento público acompanha esse quadro de desequilíbrio. De acordo com relatórios internacionais, o Brasil figura entre os países emergentes com maior dívida pública em relação ao PIB, sendo superado apenas por algumas economias de grande porte.
Especialistas alertam que o aumento do déficit e da dívida pode pressionar ainda mais as contas públicas no futuro. Com parte significativa das receitas comprometidas com o pagamento de juros e amortização da dívida, sobra menos espaço fiscal para investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Isso também pode contribuir para taxas de juros mais altas e custos de financiamento mais elevados, afetando o ambiente econômico de forma geral.
A trajetória fiscal atual deve deixar desafios consideráveis para o próximo governo, independentemente de quem assumir em 2027. Analistas econômicos e instituições financeiras destacam a necessidade de medidas estruturais que promovam equilíbrio entre receitas e despesas e contenção do endividamento, sob pena de agravar ainda mais os riscos fiscais no médio e longo prazo.







