Lula condena ação dos EUA na Venezuela e reforça defesa do multilateralismo global
Em artigo internacional, presidente critica ofensiva militar americana e pede respeito ao direito internacional e à soberania dos povos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou com veemência as recentes ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiram bombardeios e a captura do presidente Nicolás Maduro, classificando‑as como uma séria violação do direito internacional e um ataque direto à soberania venezuelana. A declaração foi publicada em um artigo no jornal americano The New York Times, em que o presidente brasileiro também destacou a importância de fortalecer o multilateralismo e a cooperação entre países para garantir estabilidade global e resolver conflitos por meio do diálogo.

Lula apontou que essa operação marca um episódio preocupante na história recente da América Latina, representando a primeira vez em mais de duas décadas que um país sul‑americano sofre um ataque militar direto liderado pelos Estados Unidos. Para ele, esse tipo de intervenção descumpre as normas internacionais e ameaça o sistema multilateral estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que busca preservar a paz por meio de instituições e acordos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU).
No texto, o presidente brasileiro argumenta que o uso recorrente da força como ferramenta política mina a autoridade de organismos internacionais e fragiliza as bases legais que orientam as relações entre países. Ele observou que, quando a força se torna regra, e não exceção, crescem os riscos de instabilidade, desordem econômica, fluxo migratório descontrolado e dificuldade de cooperação em temas transnacionais, como combate ao crime organizado e resposta a crises humanitárias.
Lula ressaltou ainda que ações unilaterais podem gerar um “mundo de violência e instabilidade”, no qual prevalece a lógica da lei do mais forte, em detrimento da justiça internacional e dos acordos que sustentam a convivência pacífica entre Estados. Por isso, defendeu que as soluções para crises como a da Venezuela devem emergir de processos políticos inclusivos liderados pelos próprios povos afetados, com o apoio de instituições multilaterais e através do diálogo diplomático.
A posição do Brasil foi reiterada em fóruns internacionais, onde outras lideranças também condenaram os ataques e defenderam o respeito ao direito internacional. Lula afirmou que o hemisfério pertence a todos os povos das Américas, e não só às grandes potências, sublinhando a necessidade de cooperação entre países independentes e soberanos para lidar com desafios regionais e globais.
A declaração do presidente brasileiro ocorre em um contexto de forte debate internacional sobre a legitimidade de intervenções militares e a preservação da ordem multilateral, em um momento em que a política externa do Brasil busca reafirmar seu compromisso com mecanismos coletivos de solução de conflitos e com uma ordem mundial baseada em regras e respeito mútuo entre Estados.







