São Paulo

Governo de São Paulo investiga origem das bebidas adulteradas e confirma 18 casos de intoxicação por metanol

Três vítimas morreram; mais de 150 casos suspeitos estão sob apuração. Vigilância Sanitária e Polícia Civil fazem operações contra destilados falsificados

O governo do Estado de São Paulo confirmou nesta terça-feira (7) ao menos 18 casos de intoxicação por metanol decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Três pessoas morreram. Outros 158 casos suspeitos estão sendo investigados pela Vigilância Sanitária Estadual, em conjunto com a Polícia Civil. A origem das bebidas contaminadas ainda não foi totalmente esclarecida, mas as autoridades indicam que há indícios de falsificação em larga escala.

Governo de São Paulo investiga origem das bebidas adulteradas e confirma 18 casos de intoxicação por metanol
Garrafas apreendidas em operação da Vigilância Sanitária de SP; amostras apresentaram presença de metanol(Divulgação)

Segundo o Centro de Vigilância Sanitária, os casos confirmados ocorreram em diversas regiões do estado, o que pode indicar uma distribuição ampla das bebidas adulteradas. O metanol é um tipo de álcool altamente tóxico, comumente utilizado em produtos industriais, e não deve ser ingerido sob nenhuma circunstância. Seu consumo pode causar desde náuseas e perda de visão até parada cardiorrespiratória e morte. Os casos recentes reforçam o alerta sobre os riscos de bebidas vendidas em embalagens irregulares ou com preços muito abaixo do mercado.

De acordo com a Secretaria de Saúde, a suspeita inicial recai sobre aguardentes e destilados com rotulagem fraudulenta. As equipes de fiscalização já interditaram estabelecimentos, coletaram amostras de produtos para análise e identificaram possíveis rotas de distribuição. Os laudos laboratoriais ainda estão em elaboração, mas os primeiros indícios confirmam a presença de metanol em amostras apreendidas.

O governador Tarcísio de Freitas determinou a intensificação das ações de campo, incluindo vistorias a fábricas clandestinas, distribuidoras e pontos de venda suspeitos. Além da Vigilância Sanitária, a Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), conduz inquéritos que investigam grupos criminosos envolvidos na falsificação de bebidas.

O caso mais recente de morte por intoxicação foi registrado em Campinas. A vítima, um homem de 44 anos, ingeriu uma bebida comprada em um mercado de bairro e morreu horas depois, com sintomas típicos de envenenamento por metanol. A Polícia Técnica confirmou a substância no organismo da vítima e no líquido remanescente na garrafa. A procedência do produto ainda está sob apuração.

Diante da gravidade do cenário, o governo também iniciou uma campanha de conscientização para alertar a população. A recomendação é que os consumidores verifiquem o selo do Ministério da Agricultura nas bebidas e desconfiem de produtos sem procedência clara, rótulos em más condições ou preços excessivamente baixos.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que hospitais públicos estão orientados a notificar imediatamente casos suspeitos de intoxicação e disponibilizar atendimento emergencial. Ainda segundo o órgão, é possível que novos casos venham a surgir nos próximos dias, à medida que o mapeamento dos produtos contaminados avance.

A operação contra bebidas adulteradas deve continuar nos próximos dias com apoio da Anvisa e do Ministério da Agricultura. A população pode denunciar pontos de venda suspeitos pelo canal da Ouvidoria da Saúde (0800 771 3541) ou diretamente à polícia.

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