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Queimadas fazem desmatamento na Amazônia crescer 92% em maio

Incêndios florestais e seca histórica impulsionam perda de 960 km² de floresta; governo alerta para colapso ambiental às vésperas da COP-30

Queimadas fazem desmatamento na Amazônia crescer 92% em maio

O desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 92% em maio de 2025 em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 960 km² de floresta perdida — uma área maior que a cidade de Nova York. Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Queimadas fazem desmatamento na Amazônia crescer 92% em maio
Incêndios florestais e seca histórica impulsionam perda de 960 km² de floresta; governo alerta para colapso ambiental às vésperas da COP-30(Marcelo Camargo-Agência Brasil)

Segundo o ministro em exercício do MMA, João Paulo Capobianco, o aumento está diretamente ligado às queimadas ocorridas no segundo semestre de 2024, cujos efeitos se tornam visíveis meses depois, quando a vegetação seca e morre. “Esse incêndio florestal de grandes proporções, relacionado a uma alteração climática, não é um desmatamento ocorrido em maio. Ele é uma floresta incendiada a tal ponto que chega agora como uma floresta colapsada”, explicou Capobianco.

Incêndios superam corte raso

Pela primeira vez, os incêndios florestais foram responsáveis por mais da metade do desmatamento registrado no mês: 51% da área desmatada decorre de queimadas, enquanto 48% resultam de corte raso e 1% de mineração.

Nos últimos cinco anos, os focos de incêndio em vegetação nativa se mantinham na média de 10%. Em 2024, esse índice subiu para 13,5%. Nos primeiros meses de 2025, 23,7% dos focos de incêndio no país atingiram vegetação nativa.

Impacto climático e resposta do governo

O aumento do desmatamento na Amazônia ocorre em um contexto de seca histórica que afetou a região em 2023 e 2024, agravando a propagação de incêndios florestais. A crise hídrica resultou em baixos níveis dos rios, comprometendo o abastecimento de água, a navegação e a geração de energia, além de facilitar a propagação do fogo em áreas de vegetação seca.

Em resposta, o governo federal intensificou as ações de fiscalização e combate ao desmatamento ilegal, com operações como a “Guardiões do Bioma”, que envolvem a Polícia Federal, o IBAMA, a Força Nacional de Segurança Pública e as Forças Armadas. Além disso, foram aplicadas multas e embargos a propriedades envolvidas em atividades ilegais.

Contraste com outros biomas

Enquanto a Amazônia registra aumento no desmatamento, outros biomas brasileiros apresentaram redução nas taxas. No Cerrado, houve uma queda de 15% em maio de 2025 em comparação ao mesmo mês de 2024, e de 22% no período acumulado de agosto de 2024 a maio de 2025. No Pantanal, a redução foi ainda mais significativa: 65% em maio e 74% no acumulado do mesmo período.

Desafios para a COP-30

O aumento do desmatamento na Amazônia representa um desafio para o Brasil às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA). O país se comprometeu a zerar o desmatamento até 2030, mas os dados recentes indicam a necessidade de reforçar as políticas de prevenção e combate à degradação ambiental.

Capobianco destacou a importância do apoio internacional para iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que visa compensar financeiramente os países que preservam suas florestas. “O Brasil está fazendo sua parte, mas precisamos de cooperação global para enfrentar esse desafio”, afirmou.

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