São Paulo

Copom mantém Selic em 15% pela 5ª vez seguida e adota tom cauteloso

Banco Central sinaliza que cortes podem começar em março, caso cenário inflacionário permita

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, nesta quarta‑feira (28), manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, em sua primeira reunião em 2026. Essa é a quinta vez seguida que a Selic permanece no mesmo patamar, o maior nível observado em quase duas décadas, um patamar alcançado em meados de 2025. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado.

Copom mantm Selic em 15 pela 5 vez seguida e adota tom cauteloso
BC opta por estabilidade diante de inflação resistente e incertezas externas(Rafa Neddermeyer – Agência Brasil)

Segundo o comunicado do Banco Central, a estratégia de manter a Selic em 15% tem se mostrado adequada para o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta, em um cenário caracterizado por elevada incerteza no ambiente externo, especialmente diante de fatores internacionais que influenciam as condições financeiras globais, e por uma atividade econômica doméstica que apresenta sinais de moderação. A inflação, embora em trajetória de desaceleração, segue em níveis acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.

A Selic é utilizada pelo Banco Central como principal instrumento de política monetária para conter pressões inflacionárias, influenciando todo o custo do crédito e das aplicações financeiras no país, e serve de referência para outras taxas de juros na economia.

O mercado financeiro já trabalhava com a expectativa de manutenção dos juros neste nível, mas o comunicado do Copom trouxe também um sinal de que a instituição poderá iniciar um ciclo de flexibilização da política monetária a partir da próxima reunião, marcada para março, caso o cenário projetado se confirme. A magnitude e o ritmo de eventuais cortes, no entanto, não foram detalhados pelo colegiado.

A decisão de hoje ocorre em um contexto em que analistas aguardam sinais mais claros da trajetória da inflação e da economia brasileira ao longo dos próximos meses, com projeções de que a taxa Selic possa começar a ser reduzida ainda em 2026 caso os indicadores continuem a evoluir de forma favorável.

Essa manutenção prolongada da Selic em 15% reflete a cautela do Banco Central diante de um cenário global incerto e da necessidade de garantir que o processo inflacionário esteja firmemente sob controle antes de promover uma redução nos juros básicos.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios