Brasil

Padilha afirma: “Saúde e soberania não se negociam” após sanções dos EUA

Em defesa do programa Mais Médicos, o ministro critica a revogação de vistos de integrantes do programa por Washington

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu duramente nesta quarta-feira (13) à decisão do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos de dois integrantes ligados ao programa Mais Médicos. A medida, considerada uma sanção diplomática, atinge diretamente dois servidores que atuaram na implementação da política de cooperação internacional com Cuba durante gestões anteriores do Ministério da Saúde.

Padilha afirma: “Saúde e soberania não se negociam” após sanções dos EUA
Padilha defende o Mais Médicos e afirma que “saúde e soberania não se negociam”(Antonio Cruz – Agência Brasil)

Em publicações nas redes sociais, Padilha classificou a ação como “um ataque injustificável” e reiterou o compromisso do governo brasileiro com o fortalecimento do programa.

“O Mais Médicos, assim como o Pix, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. Não nos curvaremos a quem persegue vacinas, pesquisadores, a ciência e agora dois nomes fundamentais para a saúde pública brasileira”, afirmou.

Os alvos da sanção foram Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor internacional e atual coordenador da COP30. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, ambos teriam colaborado com trabalho forçado de profissionais cubanos, por meio de acordos mediados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o que violaria sanções impostas a Cuba.

A decisão norte-americana foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, e incluiu também familiares dos servidores. O episódio provocou críticas do governo brasileiro, que vê na ação um gesto político e intervencionista.

Padilha destacou que, nos últimos dois anos, o Mais Médicos dobrou o número de profissionais em atuação, ampliando o atendimento em regiões remotas e com escassez histórica de médicos.

“Temos muito orgulho de um legado que salva vidas. Saúde e soberania não se negociam. Sempre estaremos do lado do povo brasileiro”, concluiu.

Criado em 2013, o programa tem como objetivo garantir acesso à saúde básica em áreas de difícil provimento. Após sua suspensão em 2018, foi relançado em 2023 com nova estrutura e foco na contratação de profissionais brasileiros. Hoje, é um dos pilares da atenção primária no Sistema Único de Saúde (SUS).

A revogação de vistos ocorre em meio a outras sanções impostas por Washington a autoridades brasileiras, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes, e evidencia o crescimento das tensões diplomáticas entre os dois países, especialmente em temas ligados à cooperação internacional e direitos humanos.

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