Protesto na Paulista contra PEC da Blindagem e anistia reúne 42 mil pessoas
Manifestação em São Paulo retomou símbolos nacionais e teve shows de artistas; protestos também ocorreram em outras 21 capitais
A Avenida Paulista voltou a ser o centro da cena política neste domingo (21), quando cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram para protestar contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O levantamento foi realizado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e da USP, em parceria com a ONG More in Common, que aplicou metodologia de contagem por inteligência artificial para estimar o público.

O número praticamente empata com a manifestação realizada no mesmo local em 7 de setembro, convocada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da anistia, que contou com 42,2 mil pessoas. A diferença está dentro da margem de erro, configurando equilíbrio entre os dois lados da disputa política.
Durante o ato deste domingo, manifestantes retomaram os símbolos nacionais, exibindo bandeiras do Brasil e vestindo verde e amarelo. A cena foi interpretada como resposta direta ao protesto bolsonarista do feriado da Independência, quando um bandeirão dos Estados Unidos foi estendido na Paulista.
As mobilizações não se limitaram a São Paulo. De acordo com os organizadores, houve atos em pelo menos 22 capitais brasileiras sob o lema “Congresso inimigo do povo”, convocados pela Frente Povo Sem Medo e apoiados por partidos e movimentos de esquerda. Os dois maiores eventos ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, o público acompanhou apresentações musicais de Curumim, Marina Lima e Leoni. Já em Copacabana, no Rio, o protesto contou com shows de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan e Lenine, reunindo artistas de grande peso na cena cultural.
A contagem oficial do público foi realizada a partir de 258 imagens aéreas tiradas em sete momentos distintos entre 14h e 17h30. Para calcular o pico de presença, foram analisadas oito fotos registradas às 16h, utilizando o método Point to Point Network (P2PNet), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Chequião, na China, em colaboração com a Tencent, e adaptado com datasets brasileiros pela USP.
Com o empate simbólico no número de participantes, a disputa em torno da anistia e da PEC da Blindagem reforça o papel da Avenida Paulista como palco central das grandes manifestações políticas do país.







