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“Ainda Estou Aqui” é eleito o melhor filme do ano pela crítica internacional

Longa de Walter Salles se torna o primeiro filme brasileiro a vencer o Grand Prix da FIPRESCI, consagrando-se mundialmente

O filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, foi eleito o melhor filme do ano pela FIPRESCI (Federação Internacional da Crítica de Cinema), em uma votação que reuniu 739 críticos de 75 países. Com isso, a obra se torna a primeira produção brasileira da história a conquistar o prestigiado Grand Prix FIPRESCI, um dos mais importantes reconhecimentos mundiais do cinema. A premiação será entregue oficialmente em 19 de setembro, durante a cerimônia de abertura do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, e contará com a presença de Salles para receber o troféu.

"Ainda Estou Aqui" conquista três indicações ao Oscar e faz história para o cinema brasileiro
Longa de Walter Salles se torna o primeiro filme brasileiro a vencer o Grand Prix da FIPRESCI, consagrando-se mundialmente(Divulgação)

A vitória marca um momento histórico para o cinema brasileiro, não apenas pela conquista inédita, mas também pela força simbólica da narrativa. “Ainda Estou Aqui” acompanha a trajetória de Eunice Paiva na busca por justiça após o desaparecimento forçado de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado durante a ditadura militar no Brasil. Com um olhar sensível e rigorosamente humano, o filme transforma dor e memória em um retrato poderoso da resistência democrática e do impacto da repressão no Brasil. A atuação de Fernanda Torres no papel principal foi amplamente elogiada pela crítica internacional e lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz.

Desde sua estreia, a obra acumula prêmios em importantes festivais — já são 61 reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo o Oscar de Melhor Filme Internacional e prêmios do júri e do público em Rotterdam, Vancouver, Cartagena, Guadalajara e outros. Também foi um dos grandes vencedores do Grande Otelo, consolidando seu impacto tanto no circuito artístico quanto junto ao público.

O reconhecimento pela FIPRESCI reforça a potência artística de Walter Salles, responsável por clássicos como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”, e projeta novamente o cinema nacional no circuito de prestígio global. A escolha do longa por parte da crítica internacional aponta não apenas para sua qualidade estética e narrativa, mas também para a importância de histórias que tratam de feridas abertas da história recente brasileira, trazendo à tona temas universais como memória, justiça e resistência.

Com essa conquista, “Ainda Estou Aqui” passa a ocupar um lugar central na história do cinema brasileiro contemporâneo, comprovando que narrativas locais, quando tratadas com profundidade e sensibilidade, podem ecoar de forma poderosa em qualquer parte do mundo.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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