Prefeitura de São Paulo cria protocolo para corridas de rua com socorro em até 3 minutos e regras contra calor extremo
Regras incluem desfibriladores, equipes médicas distribuídas pelo percurso e possibilidade de suspender provas em situações de calor extremo

Foto: IA – São Paulo Agora
A Prefeitura de São Paulo criou novas regras para o atendimento médico em corridas de rua, com prazo de até três minutos para o primeiro socorro em provas consideradas de risco especial. O protocolo também estabelece exigências para ambulâncias, desfibriladores e equipes de saúde, além de prever o adiamento ou cancelamento de competições quando o calor extremo ou outras condições colocarem os participantes em perigo.
A medida foi instituída pela Portaria nº 671, de 12 de outubro de 2026, da Secretaria Municipal da Saúde, e publicada no Diário Oficial da Cidade na terça-feira (13). As novas exigências entrarão em vigor em 12 de dezembro, após um período de transição de 60 dias.
O documento abrange corridas de rua, caminhadas, maratonas, meias-maratonas, ultramaratonas e eventos semelhantes realizados na capital, independentemente de serem organizados por empresas privadas ou pelo poder público.
Atendimento médico terá prazo conforme o risco da corrida
O novo protocolo estabelece quatro níveis de risco, definidos de acordo com características de cada competição. Entre os fatores analisados estão a quantidade de inscritos, a distância percorrida, as condições meteorológicas, o perfil dos atletas e a facilidade de acesso das ambulâncias.
O tempo máximo para o primeiro atendimento será diferente conforme a classificação da prova.
| Classificação | Prazo máximo |
|---|---|
| Nível I — Baixo risco | 8 minutos |
| Nível II — Médio risco | 6 minutos |
| Nível III — Alto risco | 5 minutos |
| Nível IV — Risco especial | 3 minutos |
O prazo corresponde ao primeiro contato do participante com um profissional habilitado para iniciar o suporte básico de vida. Portanto, a exigência de três minutos não se aplica indistintamente a todas as corridas.
Desfibriladores e ambulâncias deverão cobrir o percurso
A nova regulamentação exige que os organizadores distribuam os recursos médicos de acordo com os riscos identificados. A estrutura deverá incluir um posto médico principal na chegada, além de equipes móveis e pontos de atendimento adicionais quando necessários.
Ambulâncias de suporte básico e avançado deverão ser posicionadas para permitir acesso à largada, ao percurso e à chegada. O protocolo proíbe que todos os recursos fiquem concentrados em um único local, deixando outros trechos sem cobertura.
Em situações de parada cardiorrespiratória, a orientação prevê o início das manobras de reanimação em até um minuto e o uso de desfibrilador externo automático (DEA) em até três minutos, dentro do fluxo de resposta à emergência.
Calor extremo poderá impedir largada de corridas
Uma das principais mudanças é a criação de critérios para avaliar as condições climáticas antes da largada. A organização deverá considerar temperatura, umidade, índice de calor, qualidade do ar e previsão de tempestades.
O protocolo adota uma matriz de decisão que permite liberar a prova, aguardar a correção de problemas ou impedir sua realização. O mecanismo é identificado pelas expressões GO, HOLD e NO-GO, utilizadas para orientar a decisão operacional.
Em caso de calor intenso, poderão ser necessárias medidas adicionais de prevenção e atendimento, como reforço da hidratação, áreas de sombra, monitoramento dos atletas e estrutura para resfriamento rápido.
Se as condições oferecerem risco à saúde dos participantes e não houver segurança suficiente para a realização do evento, a competição poderá ser adiada, suspensa ou cancelada.
Organizadores terão de apresentar plano médico antecipadamente
As empresas e entidades responsáveis pelas corridas deverão apresentar um Plano de Atenção Médica (PAM) à Secretaria Municipal da Saúde com antecedência mínima de 20 dias úteis.
O documento precisará detalhar a estrutura de atendimento, os profissionais envolvidos, os equipamentos disponíveis, a distribuição das ambulâncias e os procedimentos de remoção para hospitais.
Uma comissão técnica da Prefeitura será responsável por analisar os planos. O prazo previsto para a avaliação inicial é de cinco dias úteis após o recebimento da documentação completa.
Caso sejam identificadas falhas ou insuficiência de recursos, os organizadores poderão ser obrigados a realizar ajustes antes da autorização da estrutura assistencial.
Fiscalização poderá ocorrer antes, durante e depois das provas
A Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) terá atribuição de fiscalizar o cumprimento das novas exigências. As inspeções poderão ocorrer desde a análise dos documentos até o encerramento das competições.
O protocolo também determina que a estrutura médica permaneça disponível durante a concentração dos atletas, a largada, o percurso, a chegada e a dispersão do público.
Após cada evento, o responsável técnico deverá encaminhar um relatório à Secretaria Municipal da Saúde, em até dez dias úteis, com informações sobre atendimentos, remoções, ocorrências graves, uso de desfibriladores e tempos de resposta.
O descumprimento das normas poderá resultar em sanções sanitárias e medidas administrativas para proteger os participantes.
Novas regras entram em vigor em dezembro
O protocolo foi elaborado para padronizar a assistência médica nas corridas de rua e ampliar a capacidade de resposta a emergências durante os eventos esportivos.
A Prefeitura também busca integrar a atuação das equipes contratadas pelos organizadores com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Vigilância Sanitária e a rede hospitalar.
Até 12 de dezembro de 2026, período previsto para a entrada em vigor das novas regras, continuam valendo as exigências anteriores estabelecidas pela legislação municipal.
A versão completa do protocolo, os formulários e os documentos técnicos estão disponíveis no portal da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.




