Fux diverge de Moraes e vota contra tornozeleira eletrônica para Bolsonaro em julgamento no STF
Decisão isolada do ministro acirra tensões internas na Corte e evidencia divergências sobre medidas cautelares impostas ao ex-presidente
Em um julgamento marcado por forte tensão interna, o ministro Luiz Fux abriu divergência e votou contra a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Fux foi a única contrária às medidas determinadas pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que incluiu o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com diplomatas e o veto ao uso das redes sociais por Bolsonaro.

Segundo apuração de bastidores, Fux teria avisado Moraes com antecedência de que abriria divergência, o que expõe não apenas um desacordo pontual, mas também um clima de crescente descompasso entre os ministros da Corte em relação às decisões envolvendo o ex-presidente. Em seu voto, Fux argumentou que não havia elementos concretos que justificassem a imposição de medidas tão restritivas, defendendo que não se configurava risco atual de fuga ou de obstrução da Justiça por parte de Bolsonaro. Para ele, as cautelares são excessivas e violam garantias constitucionais como a liberdade de locomoção e de expressão.
A posição do ministro, embora derrotada por quatro votos a um — com votos favoráveis de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin —, teve forte repercussão. Juristas e analistas políticos apontam que o voto de Fux pode abrir margem para futuras contestações por parte da defesa de Bolsonaro, que tem reiterado que as medidas têm caráter político e buscam constranger o ex-presidente. A decisão da Primeira Turma, no entanto, mantém em vigor as restrições, que começaram a ser impostas no contexto das investigações sobre tentativa de golpe de Estado e articulações com diplomatas estrangeiros para desacreditar o processo eleitoral.
A divergência também joga luz sobre a movimentação estratégica de Fux, que nos últimos meses tem adotado posturas mais críticas em relação ao que considera excessos do Judiciário. Embora mantenha sua base de votos com fundamentos técnicos, sua dissidência neste julgamento reforça a percepção de que há divisões internas na Corte sobre até onde o STF pode ou deve ir no enfrentamento ao bolsonarismo.
Nos bastidores do Supremo, a iniciativa de Fux foi vista como um gesto de independência, mas também como uma possível sinalização a setores da sociedade e da política que veem com preocupação o protagonismo do Judiciário em temas sensíveis. Já a posição de Moraes permanece firme: o ministro argumenta que as medidas são indispensáveis para preservar a ordem pública e evitar novas ameaças ao Estado democrático de direito.
Apesar da derrota pontual, o voto de Fux representa um marco importante na trajetória recente do Supremo, demonstrando que, mesmo diante de um consenso majoritário, há espaço para o questionamento das decisões mais duras contra Bolsonaro. Essa dissidência, ainda que isolada, lança questionamentos sobre o equilíbrio entre segurança institucional e garantias individuais — uma tensão que deve seguir no centro dos debates jurídicos e políticos nos próximos meses.







