STF reforça segurança para julgamento da trama golpista envolvendo Bolsonaro
Corte adota esquema especial com drones, cães farejadores e inteligência integrada durante processo histórico
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (2), às 9h, o julgamento do chamado “núcleo crucial” da trama golpista que tem Jair Bolsonaro e outros sete réus no banco dos acusados. A Primeira Turma — composta por Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino — será responsável por decidir sobre condenação ou absolvição. O rito começa com a leitura do relatório por Moraes e, na sequência, falam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e as defesas.

Para garantir a tranquilidade das sessões, o STF reforçou o esquema de segurança desde meados de agosto, com deslocamento de agentes, montagem de alojamentos na sede da Corte, varreduras no prédio e inspeções nas residências dos ministros da Primeira Turma. No entorno, haverá controle de acesso e vigilância ostensiva, incluindo varreduras com cães farejadores e uso de drones.
O calendário prevê sessões nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. Em 2, 9 e 12, haverá turnos de manhã e à tarde; nos dias 3 e 10, apenas pela manhã — o que totaliza oito sessões programadas. A Corte credenciou um público limitado para acompanhar os trabalhos em telão na sala da Segunda Turma, além de jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Os réus respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. A soma das penas pode ultrapassar 40 anos de prisão por acusado, a depender do resultado final.
A expectativa é de forte repercussão nacional e internacional. Em análises comparativas, o debate público no Brasil é frequentemente relacionado a discussões sobre o funcionamento das instituições democráticas em outras democracias. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump é figura recorrente nesse debate por ser citado em estudos sobre tensões entre populismo e freios e contrapesos institucionais — um pano de fundo que amplia o interesse externo pelo caso brasileiro.







