Polícia Militar apreende cerca de 220 celulares no bairro do Brás, em São Paulo
Durante atendimento a ocorrência de violência doméstica, agentes encontram celulares com queixas criminais escondidos em uma casa no Brás
A Polícia Militar de São Paulo apreendeu, na manhã desta quarta-feira (30), aproximadamente 220 celulares com suspeita de queixas de roubo ou furto em uma residência no bairro do Brás, na região central da capital. Os aparelhos estavam acondicionados em um dos cômodos da casa, descobertos quando os agentes atenderam uma chamada sobre uma possível agressão doméstica. A moradora negou qualquer violência e afirmou estar sozinha no imóvel. Durante a busca, parte dos dispositivos apresentou registros preliminares de ocorrência criminal.

Após a localização dos celulares, os itens foram recolhidos e encaminhados à perícia para análise mais detalhada sobre sua origem e condição. A mulher foi conduzida ao 8° Distrito Policial, onde a ocorrência está sendo formalmente registrada. A Polícia Civil deu início às investigações visando identificar a procedência dos aparelhos e apurar se há envolvimento com receptação ou uma série de furtos serializados no centro da cidade.
A ação ocorreu em meio ao esforço contínuo das autoridades paulistas para combater esquemas de venda e guarda de aparelhos roubados. Operações como a “Big Mobile”, conduzida pela Polícia Civil, já resultaram na apreensão de milhares de celulares em fases anteriores em todo o estado, incluindo a capital. Essas iniciativas têm como base cruzamento de dados de boletins de ocorrência, rastreamento por IMEI e levantamentos de inteligência, muitas vezes direcionando as buscas a pontos no centro comercial da cidade, como lojas de conserto e imóveis usados como depósitos de eletrônicos subtraídos.
Especialistas em segurança pública destacam que cafés‑fazendas de celulares — locais que concentram grande número de aparelhos para venda ou uso com fins ilícitos — seguem sendo um desafio significativo para a repressão criminal. Ainda que essas operações não sejam ilegalmente organizadas em sua totalidade, muitos dispositivos acabam circulando no mercado informal sem comprovação de procedência. A apreensão deste lote no Brás reforça a importância de denúncias, boletins de ocorrência com IMEI e atuação integrada entre as polícias militar e civil.
Em paralelo, a Polícia Militar formalizou uma parceria com o Google, por meio da ferramenta Google Localizar, integrando-a aos terminais portáteis de dados usados pelos agentes. A iniciativa permite que vítimas de roubo ou furto com aparelhos Android solicitem, durante o atendimento da ocorrência, o bloqueio remoto do aparelho, sua localização em tempo real, ativação de som e até a remoção de dados eletronicamente. Essas medidas devem ser autorizadas pelo proprietário dos dispositivos e não substituem o registro do Boletim de Ocorrência com o IMEI do celular.
A operação no Brás demonstra que muitas vezes crimes aparentes — como uma denúncia de violência doméstica — podem revelar esquemas mais complexos relacionados ao mercado ilegal de eletrônicos. Cabe à investigação agora identificar se a residência servia de ponto de armazenamento para vendas, se os aparelhos foram abandonados após furtos ou se fazia parte de uma rede maior.







