“Dê palpite na sua vida, não na nossa”, diz Lula após apoio de Trump a Bolsonaro
Após Donald Trump defender Bolsonaro no julgamento, presidente brasileiro afirmou que o Brasil é soberano e repudiou interferência estrangeira
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestar-se em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando os processos contra ele de “caça às bruxas”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu com firmeza o que considerou uma tentativa de interferência, afirmando: “Esse país tem lei, tem regra e esse país tem um dono chamado povo brasileiro. Portanto, dê palpite na sua vida e não na nossa”.

Trump, em publicação na sua rede social Truth Social, afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo” e disse que acompanhará “muito de perto a caça às bruxas” contra ele e seus apoiadores. O presidente americano aproveitou ainda para criticar o Brasil por conduzir um julgamento judicial, defendendo que o caso deveria ser decidido nas urnas.
Em resposta institucional antes da coletiva, Lula publicou uma nota reafirmando que “a defesa da democracia no Brasil é tema que compete aos brasileiros” e que o país não aceita “interferência ou tutela de quem quer que seja”, reforçando a solidez de suas instituições e o princípio de que “ninguém está acima da lei”.
Durante entrevista oficial ao encerrar a Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, o presidente demonstrou incômodo com a postura de Trump, classificada por ele como “equivocada” e “irresponsável”, principalmente pelo uso de redes sociais para ameaças envolvendo o Brasil. Lula enfatizou ainda o respeito à soberania nacional, dizendo que “cada país é dono do seu nariz” e que retribuirá ameaças com reciprocidade, caso necessário.
O episódio ocorre num momento em que Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de participação em trama para impedir a posse de Lula em 2023 e tenta recuperar sua elegibilidade política. Já Trump intensifica sua retórica populista nas redes, e a intervenção em assuntos internos do Brasil gerou críticas tanto de ministros do governo Lula quanto de aliados do presidente.







