Com balas de chumbo no corpo, Onça-parda é salva
Por Fabíola Sinimbu

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Uma onça-parda foi resgatada em Foz do Iguaçu, no Paraná, após ser encontrada desacordada na beira da estrada em situação precária, próximo à área de contenção do reservatório da hidrelétrica de Itaipu Binacional. De acordo com os veterinários, o animal foi vítima de atropelamento e tinha balas de chumbo pelo corpo, o que indica que foi alvejado por tiros há alguns meses.
Segundo o médico veterinário da equipe de Itaipu, Pedro Teles, especialista em animais silvestres, a onça encontrada é macho, com aproximadamente dois anos de idade e encontra-se na “fase de dispersão”, quando o animal se separa da mãe e precisa encontrar um território para se fixar. “Nessa idade é comum acontecer conflito com o homem, seja por atropelamento em rodovias, seja pela caça”, explica.
O resgate foi feito pela Polícia Ambiental do Paraná e a onça foi encaminhada para o hospital veterinário do Refúgio Bela Vista. Segundo Teles, o animal é da espécie Puma concolor, comum em todos os biomas brasileiros, e conhecida por nomes como suçuarana e onça-parda.
“O animal chegou até a gente em coma, sem precisar ter sido sedado, por isso já percebemos que ele havia sofrido um traumatismo craniano, ele também tinha um dos caninos fraturados e um corte no lábio que já mostrava que tinha batido com a cabeça”, conta.

Depois a equipe percebeu que a onça também tinha a pata traseira gravemente fraturada e mantinha mais de cinco projéteis de chumbo espalhados pelo corpo. “Os tiros já estavam cicatrizados, ou seja, ele havia sido alvejado há pelo menos 3 meses, e a gente só pôde perceber pela radiografia”, explica o veterinário.
Após tratamento intensivo, o animal saiu do coma e passou por uma cirurgia de mais de cinco horas para recuperar o fêmur traseiro, que recebeu 2 placas metálicas, um pino e 36 parafusos. A equipe do refúgio Bela Vista não sabia se a onça sobreviveria pela gravidade dos ferimentos, mas agora avalia uma readequação do espaço de confinamento, já que o animal começa a recuperar os movimentos.
Segundo Pedro Teles, a intenção é que o animal seja reintegrado à Mata Atlântica, na região em que foi encontrado, mas, para isso, precisará passar por mais avaliações. Também será necessária autorização dos órgãos ambientais competentes.
“Esse é um animal importante para o equilíbrio ecológico, por que é um dos animais responsáveis pelo controle de outras espécies como capivaras, quatis e cachorros do mato, além de ser um sinalizador de recuperação de áreas reflorestadas, como a que foi encontrado”, destaca.




