Sobe para seis o número de mortos em desabamento na Penha, Zona Leste de SP
Corpo de menina de 7 anos foi localizado neste domingo (13); criança era a última pessoa procurada e Bombeiros encerraram as buscas

Subiu para seis o número de mortos no desabamento de um prédio em construção na Penha, Zona Leste de São Paulo. O corpo de uma menina de 7 anos, que era a última pessoa procurada pelas equipes de resgate, foi localizado na manhã deste domingo (13). Com a retirada da vítima dos escombros, o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas.
A operação durou mais de 24 horas e mobilizou equipes dos Bombeiros, Defesa Civil e Prefeitura de São Paulo. Além das seis mortes, duas pessoas foram resgatadas com vida e tiveram ferimentos leves.
Menina de 7 anos era a última vítima procurada
As equipes mantiveram os trabalhos durante a madrugada deste domingo para localizar a última pessoa que permanecia desaparecida. Pela manhã, o corpo da criança foi encontrado sob os escombros e retirado no início da tarde.
A localização encerrou a operação de busca e resgate e elevou o balanço da tragédia de cinco para seis vítimas fatais.
As vítimas identificadas são Edelmira Titicayo Limachi, de 26 anos; Brayan Gery Gutierrez, de 29; Sergio Titicayo Limachi; Maria Elena Ramirez Titicayo; Shaira Diana Chinó Ramirez, de 7 anos; e Ana Lucia Ruiz Romero, de 38 anos.
Prédio caiu sobre casa durante a madrugada
O desabamento aconteceu por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, na Penha. A estrutura em construção caiu sobre uma residência vizinha, onde morava uma família de imigrantes bolivianos. O imóvel atingido também era utilizado como oficina de costura.
Um homem e uma menina de 5 anos conseguiram ser resgatados com vida. Segundo as informações divulgadas após a operação, os dois sofreram ferimentos leves, como contusões e escoriações.
As vítimas viviam no Brasil havia cerca de nove anos. O Consulado da Bolívia acompanha o caso e trabalha para atender o pedido da família de transportar os corpos para Oruro, na Bolívia.
Construção apresentava histórico de irregularidades
A situação do prédio antes do desabamento também passou a ser investigada. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a construção começou em 2019 e chegou a ser interditada depois que foram identificados problemas estruturais.
Após multas e medidas administrativas, a Procuradoria-Geral do Município entrou na Justiça em 2021 para tentar interromper os trabalhos. Posteriormente, um novo projeto foi apresentado e um alvará emitido em 2023 previa a demolição da estrutura existente antes da construção de uma nova edificação.
Segundo a investigação, essa demolição não teria sido realizada. Uma servidora da Subprefeitura da Penha que atestou em vistoria realizada em 2024 que a estrutura havia sido demolida foi afastada por 30 dias enquanto o caso é apurado.
Polícia investiga as causas do desabamento
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da queda do edifício e eventuais responsabilidades. Com o encerramento das buscas, a perícia deverá ter papel central na determinação das causas do colapso.
A investigação sobre a construção também avançou neste domingo. A Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas ligadas à New Home Construtora. Ronaldo Vivacqua, apontado pela Polícia Civil como sócio oculto da empresa, foi preso. O engenheiro Cristiano Vivacqua e Isis Brandão eram considerados foragidos na atualização mais recente.
A defesa dos investigados afirma que havia uma decisão judicial autorizando a continuidade da obra e informou que apresentará a documentação à Polícia Civil. As responsabilidades pelo desabamento ainda não foram definidas e dependem do andamento das investigações e dos resultados da perícia.
Balanço mudou com avanço das buscas
O número de vítimas sofreu alterações desde as primeiras horas da ocorrência. Após informações preliminares e correções durante o sábado, o balanço chegou a cinco mortes com a localização de três corpos durante a noite. Uma criança ainda permanecia desaparecida naquele momento.
Neste domingo, a localização da menina de 7 anos confirmou a sexta morte e encerrou a operação de busca nos escombros. A investigação policial e as apurações sobre a situação da construção continuam.




