São Paulo

Fiscalização resgata 24 trabalhadores em condições análogas à escravidão

Um grupo de 24 trabalhadores foi resgatado em condições análogas à de escravos na fazenda Água Limpa, no município de Olhos D’Água (MG). A propriedade pertence à empresa PH Agronegócios e Participações – Exportação e Importação Ltda. que produzia carvão no local, além de corte de eucalipto, usado como matéria prima.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), havia um jovem de 17 anos entre os trabalhadores. Ele exercia a função de desgalhador, atividade que consta na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil.

A operação de resgate foi realizada após denúncia recebida pela unidade do MPT em Montes Claros e mobilizou equipes do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), da Auditoria Fiscal do Trabalho (Ministério da Economia) e da Polícia Federal (PF).

Cama de um dos trabalhadores tem troncos de árvores como base. Em cima, cobertores e lençois.
Cama de um dos trabalhadores (MPT/Reprodução)

“Os trabalhadores estavam submetidos a condições subumanas, em um alojamento de alvenaria e telha de amianto, sem água potável, energia elétrica, geladeira e sanitários, sendo os trabalhadores obrigados a fazer necessidades fisiológicas no mato. Um caso típico de trabalho escravo contemporâneo, por conta das condições degradantes”, classificou Sarah Bonaccorsi, procuradora do trabalho que acompanhou o caso, em nota. “Na prestação de serviço, não estava sendo realizado o controle de jornada, não foram fornecidos os devidos equipamentos de proteção individual (EPI’s) e tampouco havia treinamento para os trabalhadores”..

Segundo o MPT, a empresa será acionada judicialmente e poderá pagar indenizações por dano moral individual e coletivo.

“A partir de agora iremos judicializar a questão, oficiar o Ministério Público Federal (MPF) para o crime de submissão de pessoas a trabalho análogo ao de escravo e buscar a imposição das diversas restrições que existem para as empresas que são flagradas nesse tipo de conduta, como a inserção do nome da empresa na Lista Suja do Trabalho Escravo, a proibição de obter empréstimos com as instituições financeiras de caráter público, a possível expropriação da terra, entre outras medidas”.

Por fim, Sarah relata que “o MPT já está em contato com as empresas siderúrgicas que compram o carvão da PH Agronegócios e Participações para informar a elas que o fornecedor foi flagrado em fiscalização do trabalho como empregador escravocrata”.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios