Crimes

Furtos de cabos disparam no Metrô de SP e expõem vulnerabilidades no sistema

Crimes crescem na capital, impactam operação e movimentam mercado ilegal de cobre

O aumento dos furtos de cabos no sistema metroviário de São Paulo tem acendido um alerta entre autoridades e operadores do transporte público. Além de causar prejuízos milionários, os crimes afetam diretamente a operação das linhas e a rotina de milhares de passageiros.

Furtos de cabos disparam no Metr de SP e expem vulnerabilidades no sistema
Crimes crescem, causam prejuízos milionários e expõem falhas de segurança(Nivaldo Lima – São Paulo Agora)

Dados recentes mostram que o problema está longe de ser pontual. Apenas em 2025, foram registradas 7.069 ocorrências de furtos e roubos de fios e cabos na capital, incluindo casos no transporte público. Nos dois primeiros meses deste ano, já foram contabilizados 966 registros, indicando a continuidade do avanço desse tipo de crime.

No sistema metroviário, o cenário também preocupa. Em 2025, foram 28 ocorrências, com destaque para a Linha 3-Vermelha, que concentrou a maior parte dos casos. Em 2026, até o momento, já são 31 registros, incluindo episódios na Linha 17-Ouro, que começou a operar recentemente e já enfrenta problemas com furtos.

Linha 17-Ouro expõe vulnerabilidades

A nova Linha 17-Ouro, por ser um monotrilho elevado e com trechos mais expostos, apresenta desafios adicionais de segurança. Em apenas um mês de funcionamento, foram registrados quatro furtos de cabos, sendo que três impactaram diretamente a operação.

Em um dos casos, a circulação de trens foi interrompida temporariamente, exigindo a ativação do sistema Paese com ônibus para transporte de passageiros. Em outra ocorrência, um suspeito foi preso em flagrante ao ser flagrado carregando cabos furtados em direção a um ferro-velho.

O Metrô afirma que já identificou pontos vulneráveis ao longo da linha e tem reforçado o monitoramento, inclusive com apoio da Polícia Militar de São Paulo.

Mercado ilegal impulsiona crimes

Segundo o especialista em segurança pública da FGV, Rafael Alcadipani, o furto de cabos se tornou um crime atrativo devido à facilidade de revenda do cobre em ferros-velhos. O material tem alto valor de mercado e pode ser rapidamente convertido em dinheiro, o que atrai principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O impacto financeiro é significativo. De acordo com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), o volume de cabos furtados no país saltou de 301 toneladas em 2024 para 975 toneladas em 2025 — um aumento de 223%. No mesmo período, os prejuízos cresceram de R$ 50 milhões para cerca de R$ 97 milhões.

Resposta das autoridades

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que intensificou o policiamento em áreas próximas às linhas e estações. A pasta também destacou ações integradas entre Polícia Militar e Polícia Civil para combater tanto o furto quanto a receptação de cabos.

Entre as medidas adotadas estão operações em ferros-velhos, cumprimento de mandados judiciais e identificação de suspeitos. Segundo a SSP, houve redução de 35% nos casos desse tipo de crime no primeiro bimestre do ano em comparação com o mesmo período anterior.

Tecnologia e reforço na segurança

Para conter os furtos, o Metrô e concessionárias têm investido em tecnologia e vigilância. Entre as ações estão o uso de drones, instalação de câmeras com sensores de intrusão, rondas motorizadas e monitoramento em tempo real.

Além disso, há integração com órgãos públicos para intensificar patrulhamento e ações preventivas. Em algumas linhas, como a 5-Lilás, medidas semelhantes já reduziram os furtos em mais de 70%.

Impacto direto na população

Apesar dos esforços, os furtos continuam gerando transtornos aos usuários, com atrasos, interrupções e necessidade de operação emergencial. Especialistas apontam que o combate efetivo depende não apenas da repressão, mas também do controle do mercado ilegal que sustenta esse tipo de crime.

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