São Paulo registra sequência de corpos encontrados; polícia investiga mortes
Ocorrências em diferentes regiões da capital incluem vítimas com sinais de violência. Polícia Civil afirma que não há evidências de um único responsável pelos casos

Foto: IA – São Paulo Agora
Uma sequência de corpos encontrados em diferentes regiões da cidade de São Paulo mobiliza a Polícia Civil e levanta dúvidas sobre as circunstâncias das mortes. Entre 5 de setembro e 22 de outubro, ao menos 13 corpos foram localizados em vias públicas da capital, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (23). Algumas vítimas apresentavam sinais de violência, mas as autoridades afirmam que, até o momento, não há evidências de que os casos tenham sido cometidos pela mesma pessoa.
O episódio mais recente ocorreu na noite de quinta-feira (22), na região do Rio Pequeno, zona oeste. Um homem foi encontrado morto na Rua Paulo da Silva, com as mãos amarradas e um saco plástico na cabeça. A vítima apresentava indícios de tortura, e o caso é investigado como homicídio.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que as ocorrências são analisadas individualmente. Segundo a Polícia Civil, as circunstâncias, os locais e as possíveis motivações variam entre os casos.
Corpos foram encontrados em diferentes regiões de SP
Nos últimos dias, a polícia registrou ocorrências na zona norte, na zona oeste e nas proximidades da Marginal Tietê.
Na madrugada de quarta-feira (21), partes do corpo de uma mulher foram encontradas dentro de sacos plásticos perto da Marginal Tietê, na região do Parque Novo Mundo, zona norte. A descoberta ocorreu durante uma ação policial em que um homem morreu após uma troca de tiros com agentes, segundo a versão apresentada pela Polícia Militar.
A Polícia Civil apura as circunstâncias da morte da mulher e a possível participação do homem morto no caso. A relação entre ele e o homicídio ainda depende de esclarecimento.
Também na quarta-feira, um homem de 43 anos foi encontrado morto em uma área de mata próxima à Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, na região do Tremembé. A vítima estava em avançado estado de decomposição e havia sido registrada como desaparecida em 16 de outubro.
Na manhã de quinta-feira (22), outro corpo foi localizado nas proximidades do Rio Tietê, na zona oeste. A vítima não havia sido identificada, e a polícia informou inicialmente que não foram encontrados sinais aparentes de violência. O caso foi registrado como morte suspeita e depende de exames periciais.
Polícia descarta, por enquanto, hipótese de assassino em série
A sequência de ocorrências provocou especulações nas redes sociais sobre a possível atuação de um assassino em série na capital paulista.
A Secretaria da Segurança Pública, entretanto, afirma que não foram identificados elementos que indiquem uma única autoria ou ligação direta entre todas as mortes.
O secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, declarou que as investigações não encontraram indícios de que os crimes tenham sido planejados ou executados pela mesma pessoa.
O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, também afirmou que as equipes estão comparando informações dos diferentes inquéritos para verificar eventuais semelhanças, sem confirmação de uma conexão entre os episódios.
A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, informou que as linhas de investigação incluem motivações distintas, relacionadas a conflitos pessoais, tráfico de drogas e outras circunstâncias.
Crime organizado é uma das hipóteses investigadas
Em parte dos homicídios, os investigadores avaliam a possibilidade de execuções relacionadas a vinganças e aos chamados tribunais do crime, julgamentos clandestinos promovidos por grupos criminosos.
A presença de corpos amarrados, envolvidos em tecidos ou colocados em sacos plásticos é uma das características analisadas pela polícia. No entanto, a SSP ressalta que essas semelhanças, isoladamente, não comprovam uma relação entre as ocorrências.
Também não há confirmação oficial de que todos os casos tenham ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Polícia Civil, suspeitos já foram identificados em parte das investigações, e pedidos de prisão foram apresentados à Justiça.
Homicídios caíram na capital, apontam dados oficiais
Apesar da repercussão dos corpos encontrados nas últimas semanas, os registros de homicídios dolosos na cidade de São Paulo apresentaram queda nos oito primeiros meses de 2026.
De janeiro a agosto, a capital contabilizou 304 vítimas de homicídio doloso, contra 350 no mesmo período de 2025.
Os dados, entretanto, não permitem comparar diretamente a sequência recente de corpos encontrados em espaços públicos com anos anteriores, porque a estatística mensal de homicídios não separa as vítimas de acordo com o local onde os corpos foram localizados.
As investigações continuam, e a Polícia Técnico-Científica trabalha na análise de vestígios e na elaboração de laudos que poderão ajudar a identificar vítimas, esclarecer as causas das mortes e estabelecer eventuais relações entre os casos.




