MP vai acompanhar apuração de duas mortes pela PM em São Paulo
Casos ocorreram em Moema e na Vila Dionísia. Secretaria da Segurança Pública discutiu com o Ministério Público a participação de promotores nas investigações

Foto: Reprodução – Redes Sociais
O Ministério Público de São Paulo deverá acompanhar as investigações sobre as mortes de dois homens durante abordagens da Polícia Militar na capital paulista. A medida foi discutida nesta terça-feira (13) entre o secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, e o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. Os casos ocorreram em Moema, na Zona Sul, e na Vila Dionísia, na Zona Norte.
As vítimas são Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morto em 10 de outubro, e Antonio Nunes Batista, de 40, morto no dia 3. Os dois foram atingidos por dezenas de disparos efetuados por policiais militares.
Segundo informações divulgadas após a reunião, o procurador-geral deverá designar promotores para acompanhar os inquéritos. Até o momento do anúncio, os nomes dos integrantes do Ministério Público ainda não haviam sido informados.
Caso em Moema teve 45 disparos de policiais
Gustavo Munis de Santana morreu na madrugada de sábado (10), durante uma abordagem na região de Moema. Quatro policiais militares efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram o jovem, conforme o registro da ocorrência.
Os agentes afirmaram que atenderam a um chamado sobre uma pessoa em situação de crise. Segundo a versão policial, Gustavo teria apontado um objeto escuro na direção da equipe, interpretado como uma possível arma. O objeto encontrado junto ao jovem era um telefone celular.
A família contesta a versão de que Gustavo estivesse ameaçando tirar a própria vida. As circunstâncias da abordagem são investigadas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar.
Homem morreu após abordagem na Zona Norte
O segundo caso ocorreu na madrugada de 3 de outubro, na Rua Afonso Lopes Vieira, na Vila Dionísia. Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu após uma intervenção de policiais militares que realizavam patrulhamento na região.
De acordo com o registro policial, os agentes relataram que Antonio apresentava sinais de alteração de comportamento e estaria ameaçando pedestres com objetos cortantes. Imagens da ocorrência mostram o homem caindo após o uso de uma arma de eletrochoque e, em seguida, policiais efetuando disparos enquanto ele permanecia no chão.
A perícia recolheu 24 estojos de munição, além de uma faca e um garfo de churrasco danificado. Uma barra de ferro mencionada na versão dos policiais não aparece na relação de objetos recolhidos divulgada sobre a ocorrência.
Antonio chegou a ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Peri 3, mas não resistiu. Familiares afirmam que ele tinha esquizofrenia e questionam a forma como a abordagem foi conduzida.
Policiais foram afastados das atividades operacionais
A Corregedoria da Polícia Militar instaurou procedimentos para apurar as condutas dos agentes envolvidos nas duas ocorrências. Os policiais foram afastados das atividades operacionais, e as armas utilizadas foram apreendidas para exames periciais.
As imagens de câmeras corporais também integram as apurações. A investigação deverá avaliar a sequência dos acontecimentos, as circunstâncias dos disparos e a adequação do uso da força em cada situação.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que não tolera desvios de conduta e que eventuais irregularidades serão apuradas e poderão resultar na responsabilização dos envolvidos.
Ainda não há prazo divulgado para a conclusão dos inquéritos ou para a designação dos promotores que acompanharão os casos.




