BRB propõe ao Banco Central empréstimos, fundo imobiliário e venda de carteiras para cobrir rombo do Master
O Banco de Brasília (BRB) apresentou ao Banco Central do Brasil um conjunto de medidas visando reforçar seu capital e cobrir prejuízos decorrentes de operações com ativos ligados ao já liquidado Banco Master, alvo de investigação por supostas fraudes que deixaram um rombo bilionário no sistema financeiro.

O plano apresentado inclui opções como a venda de carteiras de crédito e de imóveis adquiridos do Master, a criação de um fundo de investimento imobiliário (FII) usando ativos estratégicos e empréstimos com garantias junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outros mecanismos de mercado financeiro.
Nesta semana, o BRB também intensificou negociações, em especial na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, para tentar vender parte do portfólio de ativos adquiridos do Master — que pode chegar a cerca de R$ 21,9 bilhões em carteiras, fundos e imóveis. Entre os bens oferecidos a investidores, estão terrenos em áreas nobres e outros ativos imobiliários, negociados com a expectativa de reforçar o caixa do banco sem necessitar de aporte direto do Governo do Distrito Federal.
A medida ocorre no prazo estabelecido pelo BC para que o BRB apresente um plano de recomposição de capital de aproximadamente R$ 5 bilhões, com execução prevista em até seis meses, buscando preservar a solidez financeira da instituição e afastar riscos à sua credibilidade no mercado.
O caso Master remonta à liquidação extrajudicial decretada pelo BC em novembro de 2025, após identificar que carteiras de crédito adquiridas pelo banco sob suspeita não tinham lastro real, gerando prejuízos que podem chegar a até R$ 5 bilhões, segundo depoimento de dirigente do BC à Polícia Federal.
Em nota, o BRB afirmou que tem adotado “diversas medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais” relacionadas aos ativos adquiridos e que intensificará ações para preservar os interesses da instituição e de seus clientes, reforçando seu compromisso com a transparência e governança.
A crise já mobiliza não apenas o setor financeiro, mas também órgãos reguladores e forças de investigação, como a Polícia Federal, que conduz a Operação Compliance Zero para apurar eventuais fraudes nas operações entre as instituições envolvidas.







