São Paulo expulsa Julio Casares do quadro de sócios
Conselho Deliberativo aprova expulsão do ex-presidente por 224 votos a 2; defesa contesta decisão e nega irregularidades

O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta quinta-feira (10) a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube. A decisão foi tomada por ampla maioria: foram 224 votos favoráveis à expulsão, dois contrários e cinco abstenções.
A votação ocorreu de forma híbrida e secreta e confirmou a recomendação da Comissão de Ética, que havia se manifestado por unanimidade pela exclusão do ex-dirigente. O colegiado também recomendou o ressarcimento de valores aos cofres do clube.
Casares nega ter cometido irregularidades. A defesa do ex-presidente contesta o processo, afirma que houve cerceamento do direito de defesa e sinaliza que pretende buscar a reversão da decisão na Justiça.
Conselho aprova expulsão por ampla maioria
A votação encerra uma das etapas do processo interno aberto contra Casares. Para que a expulsão fosse aprovada, era necessária a manifestação do Conselho Deliberativo após a análise realizada pela Comissão de Ética.
Dos 231 votos registrados, 224 foram pela expulsão. Apenas dois conselheiros votaram contra a medida e outros cinco se abstiveram.
A Comissão de Ética havia analisado questionamentos relacionados à utilização de recursos durante a gestão de Casares. Entre os pontos examinados estavam movimentações financeiras e despesas feitas com cartão corporativo.
Comissão de Ética também pediu ressarcimento
Além da expulsão, a Comissão de Ética recomendou que valores considerados de caráter pessoal sejam ressarcidos ao São Paulo. A definição dos montantes depende da análise e validação das áreas responsáveis do clube.
Durante a apuração, também foram levantados questionamentos sobre aproximadamente R$ 7 milhões em saques realizados ao longo da gestão e cerca de R$ 1 milhão em despesas no cartão corporativo. A existência dessas movimentações, por si só, não significa que todo o montante tenha sido considerado irregular.
Casares sustenta que não houve desvio de recursos e afirma ter devolvido, com correção, valores referentes a gastos pessoais identificados durante sua administração.
Defesa de Casares contesta decisão
A defesa do ex-presidente classificou a decisão como abusiva e argumenta que não teve oportunidade adequada para produzir provas durante o processo interno.
Casares também rejeita as acusações de irregularidades e sustenta que sua atuação à frente do São Paulo ocorreu dentro da legalidade. A defesa afirma confiar na possibilidade de reverter judicialmente a expulsão.
Casares já havia deixado a presidência do São Paulo
A expulsão do quadro associativo ocorre meses depois da saída de Casares da presidência. Ele deixou o comando do clube em janeiro, durante uma crise política provocada por denúncias e investigações envolvendo sua gestão.
Após a saída do dirigente, Harry Massis Júnior assumiu a presidência. O São Paulo também contratou uma consultoria independente e um escritório de advocacia para conduzir uma investigação interna sobre denúncias de possíveis irregularidades e avaliar os controles de governança do clube.
O desfecho do processo ocorre em um momento de dificuldades administrativas e financeiras no clube. Nesta semana, o São Paulo também atrasou salários de jogadores e mantém pendências relacionadas a direitos de imagem.
Com a decisão desta quinta-feira, Casares deixa de integrar o quadro associativo do São Paulo, embora a disputa sobre o processo possa continuar na esfera judicial.




