Justiça

Toffoli se afasta de investigação do Banco Master após reunião no STF

Decisão foi tomada depois que ministros analisaram relatório da Polícia Federal com menções ao magistrado

O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria da investigação envolvendo o Banco Master após reunião convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (12) e teve como objetivo discutir o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

Toffoli se afasta de investigao do Banco Master aps reunio no STF
(Divulgação – STF)

De acordo com informações levadas à Corte, o aparelho de Vorcaro foi apreendido durante operação de busca e apreensão. O conteúdo específico das mensagens permanece sob segredo de Justiça. A partir de agora, caberá a Fachin promover a redistribuição do caso a outro ministro, conforme as regras internas do tribunal.

A reunião, que durou cerca de três horas, foi marcada pela apresentação do relatório da PF aos ministros. Na ocasião, Toffoli apresentou sua defesa e solicitou permanecer na relatoria. Apesar disso, diante da pressão pública e das críticas registradas desde o mês passado, o magistrado decidiu deixar o comando do processo, que passará a ter novo relator.

As críticas ganharam força após reportagens apontarem que a Polícia Federal teria identificado supostas irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo adquiriu participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, empreendimento do qual Toffoli confirmou ser um dos sócios, junto a familiares. Mais cedo, o ministro divulgou nota à imprensa afirmando que não recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro.

Em nota oficial divulgada após a reunião, os dez ministros do STF manifestaram apoio a Toffoli e afirmaram que não há fundamentos para suspeição ou impedimento. O comunicado destaca que, com base no artigo 107 do Código de Processo Penal e no artigo 280 do Regimento Interno do STF, não se configura hipótese para arguição de suspeição. A Corte também reconheceu a validade dos atos praticados pelo ministro na relatoria da Reclamação nº 88.121 e processos vinculados.

O documento ressalta ainda que Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A Presidência do Supremo informou que adotará as providências necessárias para a redistribuição livre do caso e para a extinção da Arguição de Suspeição (AS), com posterior remessa dos autos ao novo relator.

Assinam a nota os ministros Luiz Edson Fachin (presidente), Alexandre de Moraes (vice-presidente), Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

O Banco Master e a defesa de Daniel Vorcaro não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

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