Estados Unidos abrem investigação comercial contra o Brasil
Medida do governo Trump mira regulação digital, etanol e desmatamento; Brasil poderá enfrentar sanções e tarifas após apuração
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação comercial formal contra o Brasil, alegando a adoção de práticas econômicas consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas americanas. A medida foi tomada por ordem direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e será conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A investigação é parte de um processo mais amplo de intensificação das pressões comerciais promovidas por Trump contra países que, segundo ele, prejudicam os interesses econômicos dos Estados Unidos. Entre os principais pontos que motivaram a abertura da investigação estão as restrições impostas a plataformas digitais americanas por decisões judiciais brasileiras, o aumento de tarifas sobre o etanol importado dos EUA, o tratamento tarifário desigual dado a outros parceiros comerciais em detrimento dos norte-americanos, falhas apontadas no combate à corrupção, problemas na proteção à propriedade intelectual e a conivência com o desmatamento ilegal, que impactaria diretamente produtores florestais dos EUA.
A iniciativa do governo americano ocorre dias após Trump anunciar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, em resposta a medidas que, segundo ele, violam princípios do livre comércio e refletem uma postura hostil por parte do governo Lula. O presidente americano também acusou o Brasil de perseguir politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e criticou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. As motivações comerciais e políticas se entrelaçam no contexto da atual escalada de tensões entre os dois países.
Como parte do processo, o USTR convocou uma audiência pública para o dia 3 de setembro e abriu um período para o envio de comentários por escrito até 18 de agosto. Caso as alegações sejam confirmadas, os Estados Unidos poderão impor sanções adicionais, como tarifas punitivas, cotas de importação ou outras barreiras comerciais ao Brasil. A ação é vista como um movimento de alta intensidade diplomática e poderá provocar reação imediata do governo brasileiro, que avalia acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar medidas de retaliação com base em uma proposta em tramitação no Congresso Nacional.
A investigação reacende o debate sobre os limites da política comercial americana sob a liderança de Trump, que tem recorrido com frequência à Seção 301 como instrumento de pressão econômica. Especialistas alertam para os riscos de um confronto prolongado que afete setores-chave da economia brasileira, como o agronegócio, a tecnologia e a produção de combustíveis renováveis. A crise pode ainda gerar incertezas para investidores internacionais e comprometer acordos bilaterais em andamento.
No Brasil, o anúncio foi recebido com preocupação por parte do setor empresarial, que teme prejuízos diretos em exportações e no acesso ao mercado americano. Ainda que o governo brasileiro não tenha se pronunciado oficialmente até o momento, é esperada uma reação firme nos próximos dias, tanto no campo diplomático quanto legislativo. A disputa promete marcar os próximos meses das relações entre Brasil e Estados Unidos, num cenário de crescente tensão geopolítica e comercial.







