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Trump condena prisão de Bolsonaro e ameaça punir Moraes

Departamento de Estado dos EUA acusa Moraes de violação de direitos, promete sanções e exige liberdade de expressão para o ex-presidente

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira (4) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de decretar prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota oficial, divulgada pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, os EUA classificaram a medida como uma violação dos direitos humanos e acusaram o magistrado de usar as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. O comunicado, divulgado inclusive em português, ressaltou que restringir ainda mais a capacidade de Bolsonaro de se defender publicamente “não é um serviço público” e afirmou: “Deixem Bolsonaro falar!”.

Trump condena prisão de Bolsonaro e ameaça punir Moraes
Departamento de Estado dos EUA acusa Moraes de violação de direitos, promete sanções e exige liberdade de expressão para o ex-presidente(Daniel Torok)

Segundo a nota, os Estados Unidos “condenam a ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem essa conduta sancionada”. O texto também enfatizou que o ministro já foi sancionado pelos EUA por meio da Lei Magnitsky por violação de direitos humanos. A manifestação reforça a postura dura adotada por Trump e membros de seu governo, como o secretário Marco Rubio, que classificaram a atuação de Moraes como abuso institucional, insistindo que o ex-presidente deve ter plenas condições de se manifestar publicamente.

A decisão de Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares estabelecidas dias antes. Além da restrição à circulação, foram proibidas visitas não autorizadas, exigido uso de tornozeleira eletrônica e determinado o recolhimento de celulares, conforme normas da Justiça durante o processo que investiga o ex-presidente por alegada tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O posicionamento dos EUA intensifica uma crise diplomática já em curso, marcada por sanções econômicas e jurídicas. O governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como resposta ao julgamento, além de revogar vistos e aplicar sanções financeiras ao ministro Moraes sob a Lei Magnitsky. Do lado brasileiro, autoridades do Executivo e do Judiciário declararam que não se deixarão intimidar por medidas externas e reafirmaram a prioridade ao devido processo legal e à independência institucional.

A repercussão interna é intensa, com manifestações populares em apoio a Bolsonaro e declarações divergentes de setores políticos. O caso provoca polarização ao antecipar os temas centrais das eleições futuras e reacende o debate sobre a influência externa na justiça nacional. Enquanto isso, as autoridades brasileiras prometem recorrer da decisão e insistem na legitimidade do processo em andamento.

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