São Paulo

Aposta do Brasil, vacina de Oxford é aprovada no Reino Unido

Primeiro ministro Boris Johnson mostra vacina da Oxford/AstraZeneca (30/11/2020 – Andrew Parsons/via Fotos Públicas)

O Reino Unido concedeu nesta quarta-feira (30/12) registro para uso da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, e planeja começar a aplicá-la em seus moradores no dia 4 de janeiro.

É o primeiro país do mundo a autorizar o uso do imunizante, principal aposta do governo brasileiro para enfrentar a pandemia no Brasil.

A vacina pode ser armazenada, transportada e manipulada em refrigeradores normais, e é mais barata e fácil de aplicar que os imunizantes da Pfizer/Biontech e da Moderna, que exigem freezers e caixas de transporte especiais.

“É fantástico encerrar 2020 com um momento de esperança como esse”, afirmou o secretário da Saúde britânico, Matt Hancock, no Twitter.

Há crescente preocupação entre os britânicos de que o novo repique de casos de covid-19 possa sobrecarregar o seu sistema de saúde. O Reino Unido registrou na terça-feira (29/12) um novo recorde de novos casos em um dia, de 53.135, e mais de 71 mil pessoas que contraíram o vírus já morreram.

O número de pacientes hospitalizados com covid-19 superou o primeiro pico da doença, durante a primavera do hemisfério norte, e autoridades locais atribuíram à alta a uma nova cepa do vírus, mais contagiosa.

Andrew Pollard, um dos líderes da equipe de Oxford que desenvolve a vacina, afirmou que o imunizante deverá ajudar a conter a pandemia. “Até o momento, não temos nenhuma evidência de que as vacinas não funcionariam contra a nova cepa. Mas é algo que teremos que pesquisar. Não podemos ser complacentes com esta ou futuras variantes”, disse em entrevista à Radio 4.

Proteção contra a doença

A aprovação do imunizante incluiu “testes clínicos rigorosos e uma análise completa dos dados pelos especialistas da MHRA [a agência de medicamentos britânica], que concluiu que a vacina atende a padrões estritos de segurança, qualidade e eficácia”, afirmou o porta-voz do departamento de saúde e assistência social do Reino Unido. O pedido de registro final havia sido feito na quarta-feira passada (23/12).

O governo britânico encomendou 100 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, das quais 40 milhões devem estar disponíveis até o final de março. O Reino Unido já havia aprovado o imunizante desenvolvido pela Pfizer/Biontech em 2 de dezembro e aplicou a primeira dose em cerca de 800 mil pessoas.

Em vez de priorizar a aplicação de duas doses no intervalo de três semanas, como é feito com a vacina da Pfizer/Biontech, as autoridades do país informaram que, com a vacina de Oxford/AstraZeneca, darão preferência a vacinar o maior número de pessoas possível com uma dose, que já deve oferecer uma alta proteção contra o vírus. Integrantes dos grupos de risco terão prioridade, e todos devem receber uma segunda dose no prazo de três meses após a dose inicial.

No domingo (27/12), o presidente da AstraZeneca, Pascal Soriot, disse que a sua vacina oferece “100% de proteção” contra casos severos de covid-19 que necessitam de internação. Ele prevê que novos ensaios mostrarão que o imunizante alcançará uma eficácia comparável à da Pfizer/Biontech, de 95%, e à da Moderna, de 94,5%.

Os testes iniciais mostraram resultados da eficácia variados. Ensaios de larga escala com voluntários no Reino Unido e no Brasil que receberam duas doses completas indicaram uma eficácia de 62%. Para voluntários que receberam meia dose inicial e uma segunda dose completa, um mês depois, a eficácia foi de 90%. Os valores foram combinados, resultando na eficácia de 70% que havia sido informada inicialmente pela companhia.

Escala de produção

Apesar das críticas às discrepâncias nos resultados e no que foi percebido como uma falta de transparência da AstraZeneca, há grande expectativa sobre essa vacina por causa de seu baixo custo e da facilidade de transporte e armazenamento, fatores decisivos para o combate da pandemia em países pobres.

A AstraZeneca afirma que, em todo o mundo, produzirá 200 milhões de doses de sua vacina até o final de ano, mais de 700 milhões de doses até março de 2021 e pretende alcançar 3 bilhões de doses até o final do próximo ano.

A decisão do Reino Unido indica que a Organização Mundial de Saúde (OMS) pode liberar em breve a vacina de Oxford/AstraZeneca para uso por um consórcio global destinado a levar os imunizantes a países mais pobres, chamado Covax Facility.

A iniciativa, liderada pela OMS e a aliança pelas vacinas Gavi, já garantiu 100 milhões de doses do imunizante, que só podem ser distribuídas depois que tiverem o sinal verde da OMS. O Brasil faz parte do Covax Facility

No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é a instituição escolhida pelo governo federal para produzir, em território nacional, a vacina de Oxford/AstraZeneca. O primeiro lote, com um milhões de doses, deve estar disponível para o Sistema Único de Saúde (SUS) entre 8 e 12 de fevereiro. A partir do final de fevereiro, a projeção é entregar 3,5 milhões de doses por semana.

Segundo o acordo assinado entre Fiocruz e AstraZeneca/Oxford, as primeiras 100 milhões de doses serão produzidas a partir do princípio ativo importado, que então será preparado, envasado e rotulado no Brasil. Durante o segundo semestre de 2021, a Fiocruz terá o controle total da tecnologia e passará a produzir também o princípio ativo. A meta é entregar 210 milhões de doses no ano que vem ao SUS.

Por Deutsche Welle

BL/ap/afp

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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