São Paulo

Ex-chefe da FAB confirma que general alertou Bolsonaro sobre prisão

Baptista Júnior relata que Freire Gomes advertiu o então presidente sobre consequências legais caso insistisse em plano golpista

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, confirmou nesta quarta-feira (21) que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, alertou o ex-presidente Jair Bolsonaro de que poderia ser preso caso insistisse em planos para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Ex-chefe da FAB confirma que general alertou Bolsonaro sobre prisão
Baptista Júnior relata que Freire Gomes advertiu o então presidente sobre consequências legais caso insistisse em plano golpista.(Fabio Rodrigues-Pozzebom- Agência Brasil)

A declaração foi dada durante depoimento de Baptista Júnior como testemunha na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado no fim do governo Bolsonaro, com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo Baptista Júnior, Freire Gomes teria dito a Bolsonaro: “Se fizer isso, vou ter que te prender”. O ex-chefe da FAB ressaltou que o general foi polido e calmo ao fazer o alerta, mas firme em sua posição.

Freire Gomes, em depoimento anterior, afirmou ter alertado Bolsonaro sobre os riscos jurídicos de seguir com a empreitada, mas negou ter mencionado a palavra “prisão”. Baptista Júnior, no entanto, reforçou que não vê contradição nos relatos, alegando que ambos confirmam o alerta feito ao então presidente.

O ex-comandante da FAB também relatou ter participado de uma reunião no Ministério da Defesa, em novembro de 2022, na qual foi apresentada uma minuta de decreto prevendo que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, não tomasse posse em 1º de janeiro de 2023. Baptista Júnior afirmou ter se recusado a receber o documento e que deixou a sala após expressar sua desaprovação.

A investigação sobre a tentativa de golpe de Estado segue em andamento, com depoimentos de outras autoridades e análise de documentos apreendidos. A Procuradoria-Geral da República busca esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos na suposta trama para impedir a posse do presidente eleito.

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