Governo de São Paulo assina contrato de R$ 6 bilhões para nova sede no Centro
Complexo nos Campos Elíseos reunirá cerca de 22 mil servidores; projeto prevê desapropriações, novo terminal de ônibus e obras a partir de 2027

Foto: Governo de São Paulo
O governo de São Paulo assinou o contrato de uma parceria público-privada (PPP) de aproximadamente R$ 6 bilhões para construir sua nova sede administrativa nos Campos Elíseos, na região central da capital. O acordo, firmado na quinta-feira (22) e divulgado nesta sexta-feira (23), terá duração de 30 anos. O projeto prevê reunir cerca de 22 mil servidores estaduais atualmente distribuídos por quase 40 endereços da cidade.
A nova estrutura será implantada no entorno do Parque Princesa Isabel e do Palácio dos Campos Elíseos. Além dos edifícios destinados às secretarias e aos órgãos estaduais, o empreendimento inclui um terminal de ônibus, espaços culturais, áreas comerciais e a recuperação de imóveis históricos.
A previsão é que as primeiras obras comecem em 2027, após a conclusão dos projetos e a obtenção das licenças necessárias. O cronograma prevê entregas graduais, com conclusão dos edifícios administrativos até 2031.
Contrato prevê investimento de R$ 6 bilhões
A parceria foi firmada com a Concessionária Novo Centro SP, formada pelo grupo vencedor do leilão realizado em fevereiro deste ano.
O consórcio apresentou desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima de R$ 76,6 milhões prevista no edital. Com isso, o pagamento mensal contratado ficou em aproximadamente R$ 69,2 milhões, sujeito às condições e aos mecanismos de remuneração estabelecidos no contrato.
Os investimentos estimados para implantação do empreendimento somam cerca de R$ 6 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 3,4 bilhões correspondem à participação do governo estadual, enquanto R$ 2,7 bilhões serão aportados pela concessionária, conforme os valores divulgados sobre a estrutura financeira do projeto.
Esses investimentos não representam a soma de todos os pagamentos públicos previstos durante os 30 anos da concessão.
A empresa privada será responsável pela construção, operação e manutenção do complexo. Entre os serviços previstos estão limpeza, segurança, conservação predial, paisagismo e suporte à infraestrutura.
Nova sede reunirá 22 mil servidores públicos
O Centro Administrativo Campos Elíseos foi planejado para concentrar secretarias, departamentos e outros órgãos estaduais que atualmente funcionam em diferentes regiões de São Paulo.
Segundo o governo, a centralização pretende reduzir custos administrativos, facilitar a integração entre os órgãos e contribuir para a requalificação da região central.
O projeto prevê sete edifícios, distribuídos em dez torres, além de espaços para atividades institucionais e culturais.
Também estão previstos aproximadamente 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços, com estabelecimentos instalados nos pavimentos térreos dos novos edifícios.
O complexo deverá contar com teatro, auditórios, salas para eventos e estacionamentos subterrâneos.
Terminal Princesa Isabel será substituído
Uma das principais mudanças previstas é a desativação do Terminal Princesa Isabel, que será substituído por um novo terminal de ônibus próximo à Estação da Luz.
O chamado Terminal Luz deverá ser uma das primeiras estruturas construídas. A previsão é que as obras comecem em 2027, com entrega estimada para 2028.
A transferência permitirá ampliar o Parque Princesa Isabel, que passará a integrar o conjunto de espaços públicos do novo centro administrativo.
O governo prevê aumentar em mais de 40% as áreas verdes do parque, além de realizar intervenções de urbanização e circulação de pedestres.
As alterações deverão modificar a organização do transporte coletivo e do trânsito na região. Os detalhes operacionais das futuras linhas e pontos de parada dependerão das etapas de implantação.
Projeto prevê desapropriação de mais de 300 imóveis
A construção do complexo também envolve desapropriações nos Campos Elíseos.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a estimativa é de aproximadamente 312 imóveis atingidos, entre propriedades residenciais e comerciais.
O governo informou ter reservado R$ 500 milhões para desapropriações. A estimativa de despesas com esse processo chega a R$ 676,9 milhões.
O número definitivo de famílias afetadas ainda depende do levantamento detalhado previsto para a implantação do empreendimento.
O contrato estabelece obrigações relacionadas ao atendimento habitacional de famílias de baixa renda que precisarem deixar seus imóveis. A previsão é oferecer alternativas de moradia em um raio de até três quilômetros da residência atual, salvo quando os próprios moradores optarem por outra localização.
As remoções estão entre os principais pontos de preocupação de moradores e críticos do projeto, que questionam os impactos sociais da transformação da região.
Palácio dos Campos Elíseos e imóveis históricos serão restaurados
A proposta inclui a recuperação de 17 imóveis tombados, entre eles estruturas históricas localizadas no entorno do futuro complexo.
O Palácio dos Campos Elíseos deverá integrar a nova sede do Poder Executivo estadual.
O projeto prevê a construção de um anexo e a adaptação de espaços para atividades administrativas e institucionais, respeitando as restrições de preservação do patrimônio.
Também estão previstos um centro de convenções e um teatro, com espaços destinados a eventos e atividades culturais.
O governo apresenta a recuperação dos imóveis como parte de sua estratégia de valorização do patrimônio histórico da região central.
Quando começam as obras da nova sede?
A assinatura do contrato abre uma nova etapa do projeto, mas não autoriza automaticamente o início de todas as construções.
O consórcio terá de cumprir exigências contratuais, desenvolver projetos de engenharia e obter as licenças necessárias.
O cronograma divulgado prevê:
- 2026: assinatura do contrato, desenvolvimento dos projetos e início das providências para desapropriações;
- 2027: início das intervenções no Terminal Luz e em edifícios previstos no projeto;
- 2028: previsão de entrega do Terminal Luz e avanço das etapas de reassentamento;
- 2029: início de obras de novos edifícios administrativos e intervenções urbanísticas;
- 2030: entregas previstas de áreas públicas, espaços culturais e imóveis restaurados;
- 2031: conclusão prevista dos edifícios destinados às secretarias e aos órgãos estaduais.
Os prazos são estimativas do governo e podem sofrer alterações durante a execução.
Projeto enfrenta questionamentos sobre custos e impacto urbano
A implantação da nova sede provoca debates sobre o custo da parceria, a necessidade de desapropriações e os efeitos da transferência de órgãos estaduais para os Campos Elíseos.
Entre as preocupações estão o deslocamento de moradores e comerciantes, a mudança do Terminal Princesa Isabel e o destino dos edifícios atualmente utilizados pelo governo em outras áreas do Centro.
A gestão estadual sustenta que o projeto permitirá modernizar a estrutura administrativa e estimular a ocupação econômica da região.
O governo também estima a geração de 38 mil empregos diretos e indiretos durante as obras e de aproximadamente 2,8 mil vagas permanentes no comércio e nos serviços. Os números são projeções oficiais, não postos de trabalho já criados.
Com o contrato assinado, a implantação do Centro Administrativo Campos Elíseos passa a depender do cumprimento das etapas técnicas, jurídicas e urbanísticas previstas na concessão.




