Segurança

Polícia de SP prende operador de TI suspeito de envolvimento no desvio de R$ 541 milhões via Pix

João Nazareno Roque foi detido após confissão de que vendeu credenciais para hackers, facilitando o maior golpe cibernético contra instituições financeiras do Brasil.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na quinta-feira (3), João Nazareno Roque, operador de TI da C&M Software, suspeito de facilitar o maior ataque hacker já registrado contra o sistema financeiro brasileiro. De acordo com as investigações, Roque teria sido o elo interno que permitiu a quadrilha invadir o sistema de pagamentos Pix por meio do uso de suas credenciais profissionais, resultando no desvio de cerca de R$ 541 milhões de contas de reservas vinculadas a instituições financeiras junto ao Banco Central.

Polícia de SP prende operador de TI suspeito de envolvimento no desvio de R$ 541 milhões via Pix
João Nazareno Roque foi detido após confissão de que vendeu credenciais para hackers, facilitando o maior golpe cibernético contra instituições financeiras do Brasil( Reprodução)

Segundo depoimento do suspeito, o criminoso teria sido abordado em março, em um bar da zona Oeste de São Paulo, por indivíduos que ofereceram dinheiro para que ele entregasse login e senha de acesso à infraestrutura da empresa. Inicialmente, transferiu suas credenciais remotas em troca de R$ 5 mil; em seguida, recebeu mais R$ 10 mil para auxiliar com “códigos maliciosos” que facilitaram a execução das transferências em massa, realizadas na madrugada de 30 de junho.

As transações ocorreram entre as 4h e 7h, atingindo pelo menos seis instituições financeiras – sendo a BMP a primeira a relatar prejuízo de R$ 541 milhões – e foram efetuadas diretamente de contas de reserva da C&M, utilizada no processamento das operações Pix. Ninguém fora dessas instituições foi lesado, segundo a polícia.

A prisão foi feita na zona Norte de São Paulo e envolveu mandados de busca e apreensão realizados pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), além do bloqueio de R$ 270 milhões em uma conta que teria sido usada para receber parte do valor desviado. A Polícia Civil considera o caso como o maior furto qualificado mediante fraude da história do país.

A C&M Software divulgou nota afirmando que todas as ações foram resultado de engenharia social — e não falhas em seus sistemas — e que está colaborando integralmente com as investigações. O Banco Central esclareceu que a empresa não possui vínculo com a autarquia, atuando apenas como prestadora de serviços para instituições financeiras.

A operação segue em andamento, com esforços concentrados em identificar os outros integrantes da quadrilha — João declarou que havia pelo menos quatro envolvidos — e recuperar os valores desviados. O Banco Central suspendeu temporariamente o acesso ao Pix de várias fintechs que receberam os recursos desviados, estabelecendo controles adicionais antes da retomada completa do serviço . A Polícia Civil deverá encaminhar o caso à Polícia Federal e aprofundar o rastreamento das conexões e contas usadas no golpe.

Este episódio expõe a vulnerabilidade das cadeias de suprimento digital e o poder da engenharia social em comprometer sistemas críticos, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e protocolos de segurança rigorosos em todas as camadas do ecossistema financeiro.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios