Polícia

Justiça prorroga prisão de Milton Leite por mais 30 dias em investigação sobre o PCC

Ex-presidente da Câmara de São Paulo é investigado por suspeita de ligação com esquema de infiltração da facção criminosa no transporte público da capital

Operao contra infiltrao do PCC em empresas de nibus mira Milton Leite em SP
Ex-presidente da Câmara de São Paulo nega ligação com a facção
Foto: André Bueno – Rede Câmara

A Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), investigado por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, divulgada nesta quinta-feira (15), foi tomada no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que apura a possível infiltração da facção criminosa em empresas de ônibus e órgãos públicos da capital paulista.

A medida foi determinada pelo juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza, após pedido da Polícia Civil e manifestação favorável do Ministério Público de São Paulo. A prorrogação também atinge outros 12 investigados na operação.

Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O ex-presidente da Câmara Municipal nega qualquer ligação com o PCC e afirma ser inocente.

Justiça quer concluir análise de celulares e computadores

A Polícia Civil justificou o pedido de prorrogação pela necessidade de concluir perícias em aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação.

Segundo os investigadores, parte dos celulares e computadores está protegida por senhas e sistemas de criptografia, o que dificulta o acesso a mensagens, documentos e outros arquivos considerados relevantes para o inquérito.

Ao autorizar a continuidade das prisões, o magistrado considerou a necessidade de preservar as provas digitais e permitir que os resultados das análises sejam confrontados com os depoimentos dos investigados.

Operação investiga possível infiltração do PCC nos ônibus de SP

A Operação Vectura Corrupta apura suspeitas de que integrantes do PCC tenham utilizado empresas de transporte coletivo para ampliar sua influência econômica e política em São Paulo.

De acordo com a investigação, a facção teria participação ou influência sobre 12 das 22 empresas de ônibus que operam na capital. As autoridades também investigam possíveis irregularidades em contratos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades políticas.

Milton Leite é citado na apuração por supostamente exercer influência sobre empresas do setor, especialmente a Transwolff, investigada por suspeitas de ligação com a organização criminosa.

Depoimentos e mensagens analisados pelos investigadores levantaram a hipótese de que o ex-vereador tivesse participação na administração da empresa. Ele contesta essa versão e nega ser proprietário da Transwolff.

Defesa de Milton Leite contesta manutenção da prisão

A defesa do ex-vereador argumentou que não existem fatos novos suficientes para justificar a ampliação do período de prisão. Também sustentou que os materiais apreendidos já estão sob controle das autoridades.

Os advogados apresentaram argumentos relacionados às condições pessoais e de saúde do investigado. Um pedido de habeas corpus já havia sido negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Desde que se apresentou à polícia, Milton Leite afirma que não cometeu crimes e que pretende demonstrar sua inocência durante a investigação.

Outros investigados também tiveram prisões prorrogadas

Entre os nomes investigados na operação estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.

A investigação também examina suspeitas de aproximação entre integrantes do crime organizado e agentes políticos, além de possíveis tentativas de influência sobre contratos e decisões administrativas.

A prorrogação da prisão temporária não representa condenação. O inquérito continua para esclarecer a participação individual dos investigados e verificar se as suspeitas reunidas pelas autoridades serão confirmadas.

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
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