Operação contra infiltração do PCC em empresas de ônibus mira Milton Leite em SP
Polícia Civil e Ministério Público cumprem 16 mandados de prisão; investigação apura possível atuação da facção no sistema de transporte coletivo da capital

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público.
Um dos alvos é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), contra quem foi expedido mandado de prisão.
Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. As diligências ocorrem na capital paulista e também em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Investigação mira empresas de ônibus
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os agentes apuram indícios de que integrantes da organização criminosa teriam se infiltrado no setor de transporte coletivo.
A apuração identificou pelo menos 12 empresas de transporte de passageiros em operação na cidade de São Paulo que, segundo os investigadores, seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. Parte dessas companhias já havia sido alvo de investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público.
Além de Milton Leite, estão entre os alvos advogados, um ex-servidor ligado à área municipal de mobilidade e o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL).
Operação é desdobramento de investigação anterior
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024.
Naquela investigação, as autoridades identificaram uma rede utilizada pelo PCC para manter a comunicação entre integrantes da facção que estavam presos e aqueles que permaneciam em liberdade. Os investigadores também apontaram a participação de advogados nesse sistema.
A investigação anterior identificou ainda grupos ligados às chamadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de indícios de uma tentativa de infiltração de pessoas relacionadas ao crime organizado nas eleições municipais de 2024.
Financiamento de campanhas também é investigado
Outro ponto investigado pelas autoridades é a possível participação da organização criminosa no financiamento de campanhas eleitorais.
Segundo informações da investigação divulgadas nesta quinta-feira, os elementos reunidos apontam para um envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições municipais de 2024.
As suspeitas fazem parte da investigação e não representam condenação dos citados.
Quem é Milton Leite
Milton Leite teve sete mandatos consecutivos como vereador da cidade de São Paulo. Ele ingressou na Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020.
Leite também presidiu a Câmara Municipal entre 2017 e 2018 e novamente entre 2021 e 2024. Em 2024, decidiu não disputar mais um mandato. Atualmente, ocupa a presidência estadual do União Brasil em São Paulo.
Em fevereiro de 2026, um policial militar preso afirmou em depoimento à Corregedoria da PM que Leite seria proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo que já foi investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Na ocasião, Milton Leite negou a acusação, afirmou não conhecer o policial responsável pela declaração e declarou que não era proprietário da empresa nem havia participado de qualquer ilegalidade.
Até a publicação das primeiras informações sobre a operação desta quinta-feira, veículos que acompanham o caso ainda buscavam manifestação da defesa de Milton Leite.
A operação segue em andamento e novas informações sobre o cumprimento dos mandados podem ser divulgadas ao longo do dia.







