Tarcísio anuncia revisão nos treinamentos e ações da PM de São Paulo após mortes em abordagens
Medida do governo estadual ocorre após três mortes durante intervenções na capital e inclui cobranças da Ouvidoria por mediação humanizada

Foto: Divulgação – SSP-SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, determinou a revisão imediata dos protocolos operacionais e do treinamento da Polícia Militar paulista. A medida foi anunciada após a corporação registrar a terceira morte de uma pessoa em suposto quadro de crise psicológica ou comportamental em um intervalo inferior a duas semanas na capital.
A decisão estabelece reuniões de alinhamento com a cúpula do Comando-Geral para readequar as diretrizes de contenção e uso progressivo da força. O objetivo central das novas diretrizes é impedir a ocorrência de excessos em intervenções de rua e priorizar técnicas de desescalada de conflito.
Sucessão de casos letais mobiliza cúpula da segurança
O estopim para a intervenção do Palácio dos Bandeirantes ocorreu após a morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, no Parque São Domingos, Zona Noroeste de São Paulo. A mulher portava uma faca e acabou alvejada no tórax por um policial militar que alegou legítima defesa. O agente de segurança foi detido em flagrante e teve a prisão convertida em medidas cautelares pela Justiça, com afastamento compulsório do patrulhamento ostensivo.
O episódio somou-se a outras duas ações com alto volume de tiros deflagrados em via pública. Em Moema, Zona Sul da capital, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu com 27 disparos depois de policiais confundirem o aparelho celular que ele segurava com uma arma de fogo. Já na Vila Dionísia, Zona Norte, Antônio Nunes Batista, de 40 anos, diagnosticado com esquizofrenia, faleceu após ser atingido por 24 tiros efetuados por agentes da corporação.
Pressão institucional e atuação da Ouvidoria
A escalada de violência motivou a reação da Ouvidoria das Polícias de São Paulo, que encaminhou um documento formal com propostas técnicas de alteração operacional ao Comando-Geral. A entidade cobra a implementação rigorosa de etapas de mediação verbal antes do emprego de armamento letal, além do acionamento integrado de equipes de saúde mental, como o Samu, para o atendimento conjunto de cidadãos descompensados.
O Executivo estadual reforçou que as ocorrências seguem sob apuração minuciosa e individualizada pelas corregedorias e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A administração estadual sustentou que a segurança física dos agentes precisa ser resguardada, mas enfatizou que os procedimentos das patrulhas precisam de reformulação urgente para evitar a letalidade em quadros de sofrimento psíquico.




