Inverno de 2026 foi o mais chuvoso já registrado em São Paulo, segundo o CGE
Capital acumulou 417,1 mm de chuva durante a estação, mais de três vezes o volume esperado; série histórica do CGE começou em 1995

O inverno de 2026 terminou como o mais chuvoso já registrado na cidade de São Paulo desde o início da série histórica do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), em 1995.
De acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira (24) pelo órgão da Prefeitura, foram registrados 417,1 milímetros de chuva durante a estação. Para o período, o volume esperado era de 130,5 mm. Isso significa que o acumulado ficou 219,6% acima do esperado.
O inverno começou em junho e terminou na noite de terça-feira (22), com a chegada da primavera. Segundo o CGE, o período apresentou condições atípicas, com chuva muito acima do padrão histórico da capital.
Recorde anterior era de 2009
Antes de 2026, o inverno mais chuvoso da série do CGE havia ocorrido em 2009, quando São Paulo acumulou 352,2 mm. O terceiro maior volume pertence a 2015, com 245,3 mm.
A diferença entre 2026 e o antigo recorde é de quase 65 mm.
O contraste também é grande quando o resultado é comparado ao ano passado. No inverno de 2025, a capital acumulou apenas 87 mm de chuva, contra os 417,1 mm deste ano.
Setembro teve papel decisivo no recorde
O comportamento das chuvas em setembro foi determinante para que o inverno de 2026 chegasse ao topo da série histórica. Até o último dia da estação, em 22 de setembro, o mês já havia acumulado 294,3 mm na média da cidade.
Segundo o CGE, apenas julho terminou com chuva abaixo da média. Os demais meses que compuseram a estação registraram volumes acima do esperado.
Os números de setembro já vinham chamando atenção desde a primeira quinzena. São Paulo já havia quebrado o recorde histórico de chuva para setembro ainda nos primeiros 14 dias do mês, segundo medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Na estação do Mirante de Santana, por exemplo, o Inmet havia registrado 253,8 mm até 14 de setembro, superando os 243,1 mm observados em setembro de 1983.
Por que choveu tanto?
Segundo o meteorologista Thomaz Garcia, do CGE, o inverno permaneceu sob influência do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial.
Entretanto, o comportamento observado neste ano foi diferente do que costuma ocorrer em outros períodos de El Niño. O CGE aponta que águas mais frias que o normal no Atlântico Sul, nas proximidades do Rio da Prata e das costas do Uruguai e do Rio Grande do Sul, contribuíram para uma frequência maior de passagem de frentes frias.
Com mais dias chuvosos e elevados volumes de precipitação, a umidade permaneceu maior e as temperaturas ficaram mais baixas que o normal, segundo o órgão municipal.
Setembro já acumula quase 295 mm
Mesmo com o fim do inverno, setembro continuou acumulando chuva. Dados divulgados pelo CGE nesta quinta-feira apontam 294,8 mm no mês na média da cidade.
O valor corresponde a 366,7% acima da média histórica de setembro, que é de 66 mm, considerando a série mantida pelo órgão municipal.
A primavera começou oficialmente na noite de terça-feira (22).







