Política

TSE aceita ação do Novo contra Lula e Alckmin por suposto abuso de poder

Partido questiona 35 medidas adotadas pelo governo durante o ano eleitoral e pede cassação da chapa reeleita; presidente e vice terão cinco dias para apresentar defesa

TSE aceita ao do Novo contra Lula e Alckmin por suposto abuso de poder
Presidente Lula e vice-presidente Geraldo Alckmin são alvos de ação admitida pelo TSE para investigar suposto abuso de poder político nas eleições de 2026
Foto: Ricardo Stuckert – Divulgação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu uma ação apresentada pelo Partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleitos nas eleições de 2026. O processo busca apurar suposto abuso de poder político na adoção de medidas econômicas e sociais durante o período eleitoral.

A decisão foi tomada na quinta-feira (5) pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou que a ação reúne os requisitos legais necessários para seguir em tramitação.

Com a decisão, Lula e Alckmin deverão ser notificados para apresentar defesa no prazo de cinco dias, contado conforme as regras processuais aplicáveis.

O Novo pede a cassação dos registros ou diplomas da chapa e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos. A admissão da ação, porém, não significa que o TSE tenha reconhecido a ocorrência de irregularidades ou determinado a cassação dos eleitos.

Novo questiona 35 medidas adotadas pelo governo

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada pelo Novo questiona 35 medidas provisórias e decretos editados pelo governo federal entre janeiro e outubro de 2026.

Segundo o partido, as iniciativas criaram ou ampliaram benefícios sociais e econômicos em um período próximo às eleições presidenciais.

A legenda sustenta que a concentração dessas medidas, especialmente na reta final da campanha, pode caracterizar uso da estrutura administrativa para favorecer a reeleição de Lula e Alckmin.

Entre os atos citados estão o reajuste do Bolsa Família, a ampliação de subsídios aos combustíveis e programas de renegociação de dívidas.

O partido também questiona alterações nas regras relacionadas às apostas on-line e à tributação de compras internacionais.

De acordo com o levantamento apresentado pelo Novo, 12 das 35 medidas foram editadas durante o período oficial de campanha eleitoral.

Partido aponta impacto bilionário das medidas

O Novo também questiona os custos das políticas anunciadas pelo governo federal.

Segundo a ação, foram abertos 13 créditos extraordinários relacionados às iniciativas em 2026, com valor aproximado de R$ 99,7 bilhões.

A legenda argumenta que o volume de recursos e a proximidade dos anúncios com a votação devem ser considerados na análise de eventual abuso de poder político.

Os valores apresentados pelo partido, entretanto, correspondem a estimativas e autorizações orçamentárias, não necessariamente a despesas integralmente executadas.

O Novo afirma ainda que as 35 medidas adotadas em 2026 equivalem, em quantidade, à soma de iniciativas semelhantes identificadas pela própria legenda nos três anos anteriores.

Esses argumentos serão analisados no processo, e sua apresentação não comprova, por si só, a ocorrência de irregularidade eleitoral.

Por que o TSE aceitou a ação?

Na decisão, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva entendeu que o pedido do Novo apresenta informações suficientes para permitir o andamento da investigação.

O corregedor considerou que a ação foi apresentada dentro do prazo legal e descreve atos específicos, identificando as medidas questionadas e os custos estimados.

A identificação desses elementos permite delimitar os fatos que serão examinados e assegurar o direito de defesa dos investigados.

O ministro também considerou a inclusão de Geraldo Alckmin no processo, uma vez que o vice-presidente integrou a chapa supostamente beneficiada e, segundo a ação, participou de eventos de anúncio de algumas das medidas.

Após a apresentação das defesas, o corregedor poderá examinar os pedidos de informações a órgãos públicos e definir os próximos atos de instrução.

Lula defendeu medidas adotadas durante a campanha

Durante a campanha presidencial, Lula defendeu a adoção de medidas sociais e econômicas mesmo em período eleitoral.

Em entrevista concedida ao SBT em outubro, o presidente afirmou que não deixaria de conceder benefícios à população em razão da realização das eleições.

Em discussão judicial relacionada ao reajuste do Bolsa Família, a campanha petista sustentou que a medida representava recomposição inflacionária e não a criação de um novo programa social.

A argumentação também destacou que a legislação eleitoral prevê exceções para determinados programas sociais autorizados em lei e com execução orçamentária anterior ao ano da eleição.

Essas manifestações não substituem a defesa formal de Lula e Alckmin na ação apresentada pelo Novo.

Ação pode levar à cassação de Lula e Alckmin?

O Novo solicita que o TSE reconheça a existência de abuso de poder político e determine a cassação dos registros ou diplomas dos integrantes da chapa, além da inelegibilidade por oito anos.

Essas consequências, entretanto, dependem de julgamento e da comprovação dos requisitos previstos na legislação eleitoral.

A Justiça deverá avaliar as circunstâncias das medidas questionadas, a gravidade de eventual irregularidade e a responsabilidade dos investigados.

A simples edição de políticas públicas em ano eleitoral não caracteriza automaticamente abuso de poder político.

Até o momento, a decisão do TSE trata apenas da admissibilidade da ação e da abertura de prazo para defesa. Não houve julgamento de mérito nem determinação de perda dos mandatos.

O processo tramita sob o número 0603194-42.2026.6.00.0000.

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