PF investiga falta de ônibus no 2º turno em São Paulo
Apurações abrangem cinco estados e buscam esclarecer se a redução das frotas dificultou o acesso dos eleitores às urnas

(Nivaldo Lima – São Paulo Agora)
A Polícia Federal (PF) investiga possíveis irregularidades na circulação de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). São Paulo está entre os cinco estados envolvidos nas apurações, que buscam identificar se a redução da oferta de transporte público dificultou ou impediu o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Além de São Paulo, as investigações abrangem ocorrências na Bahia, em Sergipe, Alagoas e Piauí. A Polícia Federal abriu um inquérito em Sergipe e realiza diligências relacionadas aos problemas registrados nos demais estados.
Segundo a corporação, as apurações incluem a coleta de depoimentos e a análise das circunstâncias em que houve redução da frota. Até o momento, não há conclusão de que os problemas tenham sido provocados intencionalmente para impedir a votação.
São Paulo teve denúncias de ônibus insuficientes
Na capital paulista, o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou uma notificação ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) no domingo, relatando problemas na circulação dos ônibus municipais.
Segundo o presidente estadual da legenda, Kiko Celeguim, aproximadamente 60% da frota estaria em operação, embora a determinação da Justiça Eleitoral previsse a circulação de 100% dos veículos utilizados em dias úteis.
O partido também relatou dificuldades de deslocamento nas zonas Leste e Norte da capital, incluindo esperas próximas de uma hora em pontos de ônibus.
Esses números e relatos foram apresentados pela legenda e não representam uma conclusão independente da Polícia Federal sobre a quantidade efetiva de veículos que circularam.
Prefeitura alegou dificuldades para ampliar frota
A Prefeitura de São Paulo informou que havia recebido uma notificação da Justiça Eleitoral no sábado (24), determinando a ampliação da frota de ônibus para o segundo turno.
Segundo a administração municipal, o prazo reduzido para realizar a mudança provocou dificuldades operacionais.
Entre os problemas mencionados estavam a necessidade de reorganizar escalas de trabalho e adaptar procedimentos previamente estabelecidos.
A circulação dos ônibus municipais ocorreu durante o programa Domingão Tarifa Zero, que permite viagens gratuitas aos domingos.
A gratuidade, entretanto, não elimina a obrigação de cumprir as determinações judiciais relacionadas à oferta de transporte no dia da eleição.
Polícia Federal investiga possível crime eleitoral
A investigação busca esclarecer se houve condutas capazes de prejudicar o exercício do voto.
O artigo 297 do Código Eleitoral prevê punição para quem impedir ou dificultar o exercício do sufrágio, com pena de detenção de até seis meses e multa.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, Dennis Cali, informou que a corporação trabalha em conjunto com os tribunais regionais eleitorais, o Ministério Público Eleitoral e outras forças policiais.
As diligências incluem depoimentos de pessoas envolvidas na organização e na prestação dos serviços de transporte.
A eventual responsabilização dependerá da identificação dos responsáveis, da análise das provas e da comprovação de infrações previstas na legislação.
Problemas levaram à prorrogação da votação
As dificuldades de transporte registradas em diferentes cidades provocaram pedidos de providências à Justiça Eleitoral.
Durante o domingo, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou a ampliação do horário de votação em localidades afetadas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizaram a prorrogação excepcional da votação até as 19h.
A medida buscou permitir que eleitores prejudicados pelos problemas de deslocamento tivessem mais tempo para chegar às seções eleitorais.
PF registrou 86 ocorrências no segundo turno
Em balanço divulgado na segunda-feira (26), a Polícia Federal informou ter registrado 86 casos relacionados a possíveis crimes eleitorais durante o segundo turno.
Até as 8h de segunda-feira, a corporação havia instaurado 13 inquéritos policiais e registrado 64 termos circunstanciados de ocorrência.
Ao todo, 74 pessoas foram conduzidas à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis.
Entre as ocorrências mais frequentes estavam suspeitas de violação do sigilo do voto, propaganda eleitoral irregular, desordem nos trabalhos eleitorais e desobediência eleitoral.
Esses números correspondem ao conjunto das ocorrências eleitorais registradas no país e não apenas às investigações sobre o transporte público.
Investigações continuam
A Polícia Federal deverá analisar os depoimentos e os registros operacionais relacionados à circulação dos ônibus nos locais investigados.
O objetivo é esclarecer se a redução da frota ocorreu por dificuldades administrativas, problemas operacionais ou possíveis ações deliberadas para restringir o acesso dos eleitores às urnas.
Em São Paulo, a apuração também poderá esclarecer se a quantidade de veículos colocados em circulação correspondeu às determinações da Justiça Eleitoral.
Até a conclusão das investigações, não é possível atribuir responsabilidade criminal aos gestores ou às empresas envolvidas apenas com base nas denúncias apresentadas.




