São Paulo

Nova ação pede que STF obrigue São Paulo a regulamentar Polícia Penal

O Governo de São Paulo é alvo de novo processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que cobra ação do Estado na regulamentação da Polícia Penal, criada em junho, quando deputados estaduais aprovaram alteração na Constituição Estadual. A movimentação do governo já tinha sido feita por determinação da ministra Rosa Weber em decisão liminar. Em junho, e com dois anos de atraso, o governo enviou para a Assembleia Legislativa a alteração constitucional necessária para a criação da nova polícia paulista.

A Polícia Penal foi incluída na Constituição Federal em 2019, e exigia a adequação legal em todos os estados da federação. São Paulo era um dos poucos que ainda não tinham se movimentado. “Durante dois anos o governo paulista ficou de braços cruzados, ignorando a mudança na Constituição. Nesse período o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo (SIFUSPESP) fez diversos protestos e ações para cobrar o cumprimento da lei. Depois do processo e da decisão da ministra, acreditamos que as coisas iam andar, mas o governo deu apenas um passo e parou tudo de novo”, comenta Maria das Neves Duarte, coordenadora da Regional de SP do SIFUSPESP.

Após a aprovação da alteração na constituição do Estado, a ministra considerou o tema resolvido e encerrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. Por causa disso, o PSB protocolou agravo regimental em que pede a reconsideração da decisão por entender que o governo só cumpriu metade da ordem do STF. A implantação, de fato, da Polícia Penal de São Paulo, está parada.

Alancarlo Fernet, diretor do sindicato, explica que a mudança na Constituição não é suficiente. “A regulamentação define a estrutura de cargos, salários, além de organizar as funções de todos os servidores na nova instituição. Enquanto ela não for feita, o sistema prisional continua exatamente como está hoje, ou seja, a Polícia Penal não existe. Está claro que a decisão do STF não foi cumprida”, diz.

Nova ação no STF pede que SP regulamente Polícia Penal
A coordenadora regional do Sifuspesp, Maria das Neves Duarte(Divulgação)

Atraso proposital

Os representantes dos servidores dizem que o governo atrasou de propósito a regulamentação da Polícia Penal porque tinha interesse em privatizar o sistema penitenciário paulista. “Criar a Polícia Penal inviabilizaria o plano de repassar o sistema prisional para as mãos da iniciativa privada, que poderia contratar gente sem concurso. Agora o governo mudou de tática e resiste atrasando as alterações exigidas na lei. Vamos continuar pressionando para que a Constituição seja cumprida”, acredita Gilberto Antônio da Silva, secretário-geral do SIFUSPESP.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.
Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios