São Paulo

Parcela de brasileiros que quer se vacinar volta a crescer

O número de brasileiros que pretende tomar uma vacina contra o novo coronavírus aumentou, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (23/01). O levantamento aponta que 79% dos entrevistados afirmaram que querem se vacinar. Outros 17% disseram que não querem tomar vacina. E 4% declararam que não sabem.

O percentual de brasileiros que querem tomar a vacina é mais alto do que no último levantamento do Datafolha. Em dezembro, 73% afirmaram que pretendiam se vacinar. Outros 22% disseram que não queriam receber o imunizante.

A pesquisa de dezembro havia exibido um aumento significativo no percentual de brasileiros que rejeitavam a imunização. Em um levantamento anterior, em agosto, eles não passavam de 9%.

A pesquisa anterior também mostrou que a resistência era maior entre os apoiadores de Jair Bolsonaro. No levamento deste sábado, a tendência se repetiu.

Entre os brasileiros que avaliam o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo, 88% afirmaram que querem se vacinar. Entre os que consideram o governo ótimo ou bom, o percentual cai para 68%.

Há meses o presidente de extrema direita vem alimentando desconfiança infundada sobre os imunizantes, preferindo apostar em medidas ineficazes como o desacreditado “tratamento precoce” com hidroxicloroquina. Bolsonaro também repetiu várias vezes nos últimos meses sem nenhuma base científica que a pandemia estava chegando ao fim.

Fora de controle

O Datafolha deste sábado também mostra que a maioria dos brasileiros não concorda com a visão do presidente sobre esse “finalzinho de pandemia”. Para 62% dos entrevistados, a pandemia está fora de controle no Brasil. Outros 33% dos entrevistados acham que a doença está em parte controlada. E só 3% acreditam que a doença foi totalmente controlada no país.

O aumento da aceitação das vacinas no Brasil também ocorre paralelamente ao crescimento de pessoas que relataram ter medo de se infectar. Segundo o Datafolha, 77% dos entrevistados relataram esse temor, contra 73% em dezembro. Já a parcela daqueles que afirmam não ter medo caiu de 24% para 16%.

Coronavac

O Datafolha também apontou que diminuiu a desconfiança em relação à Coronavac, a vacina de origem chinesa promovida pelo governo de São Paulo, e que foi alvo de ataques por parte de Bolsonaro. Segundo o instituto, a rejeição caiu de 50% em dezembro para 39% em janeiro.

Mas a rejeição à Coronavac é mais uma vez superior entre aqueles que avaliam o governo Bolsonaro de maneira positiva. Neste grupo, 57% afirmam que não tomariam a Coronavac.

Por enquanto, a Coronavac é a única vacina disponível em larga escala no Brasil, após o governo federal não cumprir a promessa de garantir para janeiro 15 milhões de doses do imunizante da empresa AstraZeneca produzido em parceria com a Universidade de Oxford. No momento, o governo só conta com uma carga de 2 milhões de doses dessa vacina, importadas da Índia. Já os planos de iniciar a produção em território brasileiro ficaram para março.

O Datafolha aponta que vacinas produzidas pelos Estados Unidos sofreriam menos rejeição entre os apoiadores do governo. Neste grupo, 74% afirmam que tomariam um imunizante desenvolvido nos EUA. No entanto, o governo federal não fechou até agora nenhuma parceria com laboratórios americanos, como as empresas Pfizer e Moderna. A Pfizer inclusive fez diversas propostas ao governo brasileiro ao longo do ano passado, mas nenhuma foi aceita, em contraste com dezenas de outros países, que fecharam parcerias com o laboratório.

Os números do Datafolha foram divulgados num momento de nova alta de casos e de mortes por covid-19 em todo o país. Nas últimas semanas, o país tem superado regularmente a marca de mil óbitos registrados em 24 horas. Até a sexta-feira, o país acumulava 215.243 mortes por covid-19 e mais de 8,7 milhões de casos da doença.

O Datafolha entrevistou 2.030 brasileiros entre 20 e 21 de janeiro. A pesquisa foi realizada por telefone, para evitar contato pessoal com os entrevistados, segundo o instituto. A margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Por Deutsche Welle

*JPS/ots

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Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

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